Pesquisador do jornalismo, José Marques de Melo foi um maioral na academia

THAIZA PAULUZE
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Pesquisador do jornalismo, José Marques de Melo foi um maioral na academia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Nascido em Palmeira dos Índios, José Marques de Melo (1943 - 2018), filho de pai mascate e mãe dona de casa, queria seguir os passos de um dos prefeitos da cidade no agreste alagoano -o escritor Graciliano Ramos. Ou ainda de Rui Barbosa, outro nordestino metido às letras, que dizia ter virado sua bíblia.

A família apostava no primogênito a formação de engenheiro, bem quista à época. Só que Zé Melo não era dado aos números, queria ser jornalista, como os que admirava. Bateram o martelo em direito. Teimoso, foi morar no Recife e cursava direito de manhã e jornalismo à noite.

Trabalhou em ao menos dez Redações, entre elas a Gazeta de Alagoas, onde começou, e a Folha de S.Paulo. Mas sua paixão era mesmo a academia, na qual se consagrou um maioral.

Zé Melo revezava entre escrever livros, dar palestras, participar de bancas em programas de pós-graduação. E ainda ser professor emérito da USP e ir cotidianamente para a Universidade Metodista de São Paulo, onde coordenava a cátedra Unesco/Metodista de Comunicação. 

Fazia também parte do conselho curador e era presidente de honra do Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação). Chegou a ter todos os seus méritos acadêmicos cassados durante a ditadura militar, período em que, exilado, trocou o Brasil pelos EUA.

Há cinco anos, lidava com o mal de Parkinson e até colocou um chip no cérebro para driblar a doença -os sintomas, porém, não impediam Zé de exercer as atividades de professor, pesquisador e jornalista.

Na capital paulista, nunca abandonou seu feijão de corda, a carne de sol e a tapioca. Também não perdia o hábito de comprar o jornal impresso todos os dias. Nos últimos tempos, lia Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Valor e O Globo para sua pesquisa sobre a crise política e econômica no país. Mantinha caixas e mais caixas de recortes das notícias. 

Nesta quarta-feira (20), aos 75 anos, sofreu um infarto fulminante. Deixou a mulher, Maria Silva, os dois filhos Marcelo e Silvana, a irmã, Maria José, três netos e seus vários orientandos.