Pesquisador de Oxford: 'Há quem talvez só irá se vacinar por dinheiro'

Bruno Alfano
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Foto: David Fisher/Divulgaçao / David Fisher/Divulgaçao
Foto: David Fisher/Divulgaçao / David Fisher/Divulgaçao

RIO - O filósofo e bioeticista australiano Julian Savulescu, da Universidade de Oxford, defende que é ético criar estímulos monetários para que a população se vacine contra a Covid-19. Ele também não condena a hipótese de tornar a imunização obrigatória, incluindo sanções a quem se recusar a tomar as doses, conforme defendeu em um artigo que, desde publicado este mês no britânico “Journal of Medical Ethics”, tem repercutido mundo afora.

Savulescu se baseia no fato de que uma doença só é erradicada quando a vacinação atinge uma parcela expressiva das pessoas. Só assim chega-se à imunidade coletiva.

— Devemos tentar de tudo. E estudar. Estas são questões empíricas. É possível que o pagamento não aumente a vacinação. Ou talvez as pessoas só se vacinem por dinheiro. E aí, precisaremos pagá-las para atingir a imunidade coletiva — diz o australiano.

Savulescu ainda afirma que “é muito triste” a politização do imunizante no Brasil.

— As pessoas têm o direito ao acesso, gratuitamente, à melhor, mais segura e eficaz vacina que houver. O local onde essa vacina foi desenvolvida não deve fazer diferença, seja em Oxford, China ou Rússia. A política não deveria matar as pessoas negando-lhes o acesso aos medicamentos. Infelizmente, muita da Covid tem sido guiado pela política, e não pela ética — afirmou.