Pesquisadores brasileiros relatam destruição de base na Antártica

RIO - Foi com praticamente apenas as roupas de frio - e os laboratórios todos arrasados pelo incêndio - que os pesquisadores deixaram a Estação Antártica Comandante Ferraz ontem.

- Não tem palavras. A gente só tem a vida e Deus - resume o pesquisador da UFRJ João Paulo Machado Torres, que aguarda, em um hotel em Punta Arenas, no Chile, o retorno ao Brasil.

O projeto que ele coordenava, o Pinguins e Skuas, um investimento de US$ 500 mil, foi perdido, assim como as outras pesquisas na base brasileira. Torres, que estava acordado quando o fogo começou, ainda conseguiu chegar à biblioteca e salvar um laptop, mas não alcançou o alojamento, que os pesquisadores chamam de camarote. Alguns pesquisadores dormiam quando o fogo começou, e a maioria dos colegas, conta ele, teve tempo somente de pegar seus casacos para enfrentar o frio de -5 graus. Como Torres fazia muito trabalho de coleta externa, sempre tinha equipamentos de frio mais à mão, e distribuiu as roupas extras.

Ninguém ficou ao relento, pois o grupo se abrigou em pequenos módulos que o fogo não atingira. O pesquisador relata que o alarme não soou, mas ele não acredita em falha do equipamento, que deve ter sido destruído no incêndio antes mesmo de poder funcionar. Torres estava na Antártica desde o início de fevereiro e voltaria ao Brasil no dia 11 de março.

Segundo Nicole Correa Martins, pesquisadora da área de Biologia Marinha da UFRJ que também está em Punta Arenas, o grupo fará uma reunião na manhã deste domingo para discutir detalhes do retorno ao Brasil, mas ainda não se sabe quando exatamente será o embarque de volta.

- O importante é que todos nós estamos bem, e a Marinha está nos dando todo o apoio necessário - disse Nicole, especializada nos estudos de fitoplâncton marinho.

O avião enviado pela FAB para retirá-los, um Hércules C-130, é o único que pousa na Antártica, e primeiro vai resgatar os corpos antes de trazer os brasileiros de volta. A aeronave deixou a Base Aérea do Galeão, no Rio, às 17h30m de sábado, parou em Pelotas para recolher material da Marinha, como roupas resistentes ao frio da região, e pousou às 3h (horário de Brasília) em Punta Arenas, no Chile. De acordo com a FAB, o avião está à disposição da Marinha e aguarda a definição para retornar ao Brasil. A FAB disse também que vai comunicar, por nota, quando isso acontecer.

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