Pesquisadores descobrem novo gênero e espécie de crocodilo em Minas Gerais

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RIO — Pesquisadores descobriram um novo gênero e espécie de um pequeno crocodiliforme do Período Cretáceo Superior, de aproximadamente 80 milhões de anos, batizado como Eptalofosuchus viridi. O estudo foi publicado no periódico científico internacional Cretaceous Research, um dos mais importantes da área de geociências.

O fóssil foi encontrado em 1966 durante uma escavação de um poço em um posto de gasolina às margens da BR-050 e, desde então, esteve guardado na coleção do Museu de Ciências da Terra (MCT), do Serviço Geológico do Brasil, no Rio de Janeiro. Segundo os pesquisadores, o animal habitou na região de Uberaba, Minas Gerais.

— Esta é a primeira espécie fóssil descrita para a unidade geológica chama de Formação Uberaba, cuja ocorrência se dá principalmente abaixo da malha urbana do município homônimo — explicou Thiago Marinho.

Com cerca 40 centímetros, o animal que se alimentava de plantas e pequenos animais, conviveu com dinossauros herbívoros gigantes, como os titanossauros, grandes dinossauros predadores como os megaraptores e pelo menos outras duas espécies de crocodilos, de hábitos carnívoros. O nome faz alusão ao apelido de Uberaba, “a cidade das sete colinas”, e a típica coloração esverdeada da Formação Uberaba.

Em 2016, os paleontólogos Thiago Marinho, do Centro de Pesquisas Paleontológicas “Llewellyn Ivor Price” da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e Agustín Martinelli, do Museo Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia” (Buenos Aires, Argentina), em visita ao MCT, identificaram o pequeno bloco de rocha esverdeada contendo o fóssil. Sob empréstimo, o material foi levado à Uberaba e, em seguida, preparado pelo paleontólogo Fabiano Iori, do Museu de Paleontologia “Pedro Candolo” em Uchôa (SP). Nesta etapa, verificou-se que o material se tratava de um fragmento de mandíbula de um pequeno crocodilo com alguns dentes preservados, que ainda não tinha registro nesta formação geológica.

Apesar de fósseis da Formação Uberaba serem conhecidos há mais de 70 anos, esta é a primeira vez que uma nova espécie pode ser descrita para esta unidade geológica. Um dos fatores que dificulta a coleta de fósseis nestas rochas se deve ao fato de que a área principal de ocorrência está exatamente abaixo da malha urbana da cidade. Não é raro que escavações para a construção civil e aberturas de poços se deparem com fósseis, como foi o caso desta descoberta. Segundo Thiago Marinho, a divulgação destes resultados é fundamental para o futuro das pesquisas paleontológicas em Uberaba, “uma vez que a população toma ciência das ocorrências de fósseis, certamente os olhares para as rochas estarão mais atentos e é aí que novas descobertas surgirão”.

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