Pesquisadores desenvolvem transportador de medicamentos que atravessa a barreira do cérebro

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SÃO PAULO — Um novo estudo feito em Portugal pode ter encontrado uma forma mais eficaz de transportar drogas para o cérebro com o intuito de tratar doenças neurológicas.

A pesquisa foi realizada na Escola de Ciências da Universidade do Minho e publicada na revista Journal of Controlled Release.

Os cientistas descobriram que lipossomas (nanopartículas de lipídios) são moléculas com potencial para transportar medicamentos até ao cérebro, atravessando a barreira hematoencefálica, que protege o cérebro de substâncias nefastas no sangue e impede a passagem de 98% dos medicamentos, diminuindo a eficácia dos tratamentos de doenças como o Alzheimer.

Os lipossomas têm uma composição inspirada na dos exossomas, que são vesículas que ocorrem naturalmente e que são importantes na comunicação entre células. Eles poderiam ser produzidos através de processos mais baratos e mais rápidos em comparação com exossomas de origem natural.

Para o psiquiatra no Hospital Sírio Libanês Sergio Hototian, Secretário Científico do comitê de Geronto psiquiatria da Associação Latino Americana de Psiquiatria (Apal), o estudo é “um campo que se abre”:

— A ideia é promissora e genial, mas é preciso ter o contraponto, cuidado com efeitos colaterais, porque estão propondo uma nova tecnologia de transporte de rompimento da barreira hematoencefálica, que é a barreira mais delicada do ser humano porque protege o cérebro que tem o tecido mais sensível. Por isso, deve ser muito bem pensada e estudada antes de ir para experimento humano. Mas mais cedo ou mais tarde teríamos que enfrentar essa questão da nanotecnologia, que é o futuro.

Os investigadores confirmaram os resultados num modelo de peixe-zebra e não foram registrados efeitos secundários.

Para testar esse novo método de transporte, os pesquisadores escolheram a curcumina, uma substância presente na curcuma (açafrão-da-terra), que eles alegam ser capaz de melhorar a memória e a atenção das pessoas, reduzindo o aparecimento de placas microscópicas que se formam no cérebro de quem tem Alzheimer. Porém, a curcumina é mal absorvida pelos intestinos quando administrada por via oral, além de ser eliminada da corrente sanguínea humana. Assim, a intenção da equipe portuguesa era utilizar os lipossomas para encapsular e transportar a curcumina até o sistema nervoso central.

O próximo passo da investigação ainda está sendo avaliado. “Isto é um estudo recente, mas já temos a patente a nível nacional. Agora, precisamos de financiamento para passar à parte internacional, como é evidente. Eventualmente, também precisamos de um financiamento mais alargado para explorar estas potencialidade todas: outras doenças e outras perspectivas não terapêuticas que tenham interesse comercial ou social”, afirma Andreia Gomes, professora e investigadora do Departamento de Biologia da Escola de Ciências, em comunicado emitido pela universidade.

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