Pesquisas tiveram maior erro em 40 anos nos EUA

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GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) - As pesquisas de intenção de voto feitas durante o pleito que alçou Joe Biden à Presidência dos Estados Unidos acertaram no resultado, mas também apresentaram os maiores erros em 40 anos. A análise, publicada seis meses após o democrata assumir o cargo, foi feita pela Associação Americana para Pesquisa de Opinião Pública (AAPOR, na sigla em inglês).

De acordo com a equipe que analisou 2.858 pesquisas feitas no período, o principal erro foi superestimar a vitória de Biden e subestimar a derrota de seu adversário, o então presidente Donald Trump. Elas exageraram em 3,9 pontos percentuais a margem entre Biden e Trump no voto popular nacional e 4,3 pontos nas pesquisas estaduais, para o colégio eleitoral.

Em geral, foi maior o erro ao indicar uma possível derrota de Trump. As pesquisas subestimaram o apoio ao republicano em quase todos os estados por uma média de 3,3 pontos percentuais, enquanto aumentaram em 1 ponto o apoio de Biden.

Nas corridas para o Senado e os governos estaduais, foi observado padrão semelhante: a margem de candidatos democratas foi exagerada e a dos republicanos, minimizada. Somente 66% das pesquisas acertaram os nomes que se tornaram senadores.

"Houve um erro sistemático em termos de exagero para o apoio democrata em todos os cenários", afirmou Josh Clinton, professor da Universidade Vanderbilt que coordenou a força-tarefa de 19 pesquisadores, ao jornal americano Washington Post.

Já em novembro, um mês antes de o Colégio Eleitoral americano confirmar a vitória de Biden, era possível observar erros consideráveis nas pesquisas, que desenharam um cenário mais favorável ao candidato democrata do que se confirmou na realidade.

Pesquisas no estado de Michigan, por exemplo, apresentaram erro de 7,2 pontos --traçaram que Biden teria vantagem de 8,1 pontos percentuais, quando, na contagem àquela altura, tinha apenas 0,9 ponto. Erros semelhantes foram observados em Wisconsin, Ohio e Pensilvânia.

Essas diferenças, porém, já eram conhecidas dos americanos e ganharam notoriedade nas eleições de 2016, quando as pesquisas projetavam Hillary Clinton na Casa Branca, mas Trump foi o eleito.

O setor buscou entender o que tinha acontecido de errado e chegou à conclusão de que a principal razão foi um erro na amostra de pessoas brancas sem ensino superior, grupo que apoiou Trump de maneira enfática e foi sub-representado nas pesquisas.

Mas parece que esse não é o fator que levou às falhas nas pesquisas de 2020. A equipe da força-tarefa que capitaneou o estudo não conseguiu chegar a conclusões definitivas sobre a origem dos erros. Afirmou, porém, que é possível descartar algumas das possibilidades. Uma delas é a falha nas respostas de níveis de escolaridade, que predominaram no pleito de 2016.

Também não é plausível imputar o erro a uma suposta quantidade de eleitores que só decidiram o voto às vésperas da eleição, já que, afirma o relatório da pesquisa, em 2020 a maior parte dos americanos já estava decidida muito antes de preencher as cédulas de votação.

O documento sugere, então, duas possibilidades. A primeira é que os cidadãos republicanos que aceitaram responder às pesquisas de intenção de voto tiveram opções eleitorais diferentes daqueles que se negaram a responder.

Isso se justificaria pela diminuição da confiança dos americanos nas instituições, em grande parte impulsionada pelos discursos e pela atuação de Trump, que tentava desacreditar a mídia e as pesquisas de intenção de voto.

A segunda, essa mais valorizada pela equipe, é o papel assumido pelos novos eleitores. Foram 22 milhões de votos a mais certificados no pleito de 2020 do que no de 2016 --nos EUA, diferentemente do Brasil, o voto não é obrigatório.

Ao Post, o professor Josh Clinton disse que 2022 será um bom termômetro para entender o peso que o fator Trump tem nos erros das pesquisas. Caso Trump não concorra, há possibilidade de os erros nas pesquisas se resolverem "por si mesmos", afirmou Clinton. Já em um cenário no qual isso não aconteça, restará aos institutos de pesquisa o diagnóstico de que perderam a capacidade de dialogar com alguns grupos de eleitores.

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