Pessimismo europeu sobre acordo para controlar programa nuclear iraniano

As esperanças dos europeus de alcançarem um novo acordo sobre o programa nuclear iraniano pareciam se dissipar nesta segunda-feira (12) diante de um regime acusado de continuar a "escalada" de suas atividades nucleares, indicaram várias autoridades.

O chanceler alemão, Olaf Scholz, resumiu nesta segunda-feira a amargura dos europeus lamentando que o Irã "não tem dado uma resposta positiva às propostas dos coordenadores europeus".

"Não há nenhuma razão para o Irã não aceitar estas propostas. Mas devemos considerar que talvez não seja o caso e que certamente não ocorrerá em um futuro próximo", afirmou o chanceler em coletiva de imprensa em Berlim com o primeiro-ministro israelense, Yair Lapid.

Após um ano e meio de negociações destinadas a reativar o acordo de 2015, do qual os Estados Unidos se retiraram unilateralmente em 2018, Alemanha, Reino Unido e França expressaram no sábado "sérias dúvidas" sobre a vontade real de Teerã.

"O Irã continua a avançar em seu programa nuclear muito além do que poderia ser plausivelmente justificado por motivos civis", disseram os governos dos três países em comunicado conjunto.

O Irã reagiu à declaração conjunta, dizendo que "não era nada construtiva", ao contrário de Lapid, que a elogiou.

Os países europeus criticam Teerã por não responder quando o coordenador do JCPOA (o nome do pacto) lhe apresentou uma série de textos que, segundo eles, teriam permitido um retorno ao acordo.

O Irã pediu mais uma vez a suspensão de uma investigação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre vestígios de urânio enriquecido encontrados em três locais não declarados, o que foi contestado pelo chefe da AIEA, Rafael Grossi.

O pacto de 2015 pretende impedir que o Irã adquira armas nucleares, embora Teerã nunca tenha admitido que buscasse esse objetivo. No entanto, após a saída dos Estados Unidos e o restabelecimento das sanções americanas que afetam gravemente sua economia, o Irã foi progressivamente abandonando seus compromissos firmados no acordo.

Para Lapid, as negociações começam a indicar um "fracasso" e que "o objetivo de impedir o armamento nuclear do Irã não será alcançado".

Um alto funcionário da diplomacia israelense declarou durante sua visita a Berlim que chegou o momento de "um diálogo com os americanos e os europeus (...) para que uma ameaça militar eficaz seja apresentada para pressionar o Irã a um acordo melhor".

Israel teme que o levantamento de sanções pode aumentar o orçamento iraniano destinado a apoiar o Hezbollah libanês, o Hamas palestino e outros grupos pró-iranianos na região.

Na segunda-feira, o ministro israelense de Defesa, Benny Gantz, apresentou nos Estados Unidos uma carta com "dez lugares" na Síria onde o Irã produz "armas de precisão" destinados ao Hezbollah.

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