Pessoas em busca de atendimento e trabalho se dirigem em vão ao Hospital Modular de Nova Iguaçu

Flavio Trindade
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RIO — O primeiro dia útil de funcionamento do Hospital Modular de Nova Iguaçu foi de informações desencontradas. Após a inauguração no último sábado, marcada por aglomerações, nesta segunda-feira diversas pessoas foram até a porta da unidade em busca de atendimento para sintomas da Covid-19. Coube então aos seguranças no portão orientarem a população a procurar atendimento no Hospital da Posse ou em uma das Unidades de Pronto Atendimento do município.

A professora Lucimara Castro, de 49 anos, chegou à porta unidade de saúde carregada pela tia Ana Cristina. Sentindo falta de ar, dores pelo corpo e outros sintomas da Covid-19, ela foi avisada de que não poderia ser atendida no local. Sem saber o que fazer, buscou orientações com outras pessoas no local e pediu um carro de aplicativo para a Unidade de Pronto Atendimento do Bairro Botafogo.

— Comecei a sentir os sintomas desde o fim de semana. Soube que tinham aberto o novo hospital e vim aqui. Agora me disseram que é somente transferência. Não dão as informações corretas. Estou cheia de dores e agora vou ter de procurar outro lugar para tentar atendimento.

Funcionando apenas para recebimento de pacientes transferidos de outras unidades, o Hospital Modular estava com movimentação tranquila na manhã desta segunda. A equipe do EXTRA acompanhou a chegada de apenas duas ambulâncias até o meio-dia. Chamava mais atenção do lado de fora a movimentação de pessoas da área de saúde com currículos na mão em busca de uma oportunidade de trabalho.

A técnica de enfermagem Damiana dos Santos saiu de Mesquita cedo e mesmo sem a certeza de ter o currículo recebido por alguém, aguardava na porta do hospital por uma oportunidade. Depois de perder o emprego no início da pandemia, ela espera por uma recolocação para aliviar os problemas financeiros em casa, que vêm aumentando nos últimos meses.

— Eu estava em uma Upa com meu pai e os funcionários disseram que aqui iriam contratar. Então acordei cedo hoje e vim com currículo, só que parece que não tem ninguém para receber. Estou desempregada há um ano, perdi o emprego justamente por causa da Pandemia. Meu marido nos últimos meses vem fazendo somente biscates, tenho duas filhas e preciso muito de um trabalho, tenho de pagar dívidas e deixar as coisas mais tranquilas em casa.

Outro que aguardava pelo recebimento do currículo era o psicólogo Douglas Vieira, de 45 anos, e que saiu de Bangu em busca de uma oportunidade de recolocação. Mesmo sem a perspectiva de ser atendido, ele seguia no local na esperança de que alguém aparecesse.

— Vi na televisão de que aqui iriam contratar profissionais e vim, pois, estou em busca de um emprego fixo. Faço alguns atendimentos particulares, mas quero algo mais seguro para dar segurança para minha família. Os tempos estão difíceis e vou ficar aqui para ver no que vai dar. Acredito que alguém vai pegar os currículos das pessoas aqui.