Chineses ricos estão comprando cada vez mais pedaços de animais em extinção

(Reprodução/NextSahrk)

Diversas pessoas ricas da China estão comprando produtos provenientes de animais selvagens de forma ilegal, que incluem as partes de tigres em extinção, elefantes, rinocerontes e ursos. Tais itens são cada vez mais vistos como uma forma de investimentos cujos valores irão subir devido à raridade dos bichos, segundo o site ativista TakePart.

Armazéns em toda a China guardam anualmente centenas de cadáveres de tigre embebidos em ervas e garrafas de vinho de arroz. Estes itens acabarão sendo vendidos, em sua maioria, por valores entre US$ 80 e US$ 300. Quanto mais tempo as garrafas esperarem, mais valiosas se tornam.

A busca por marfim também aumentou entre a elite chinesa. À medida que mais colecionadores têm entrado no mercado, a caça ilegal de espécies ameaçadas de extinção que fornecem marfim, como elefantes e rinocerontes, têm aumentado. Em 2006, o preço de atacado para o marfim era US$ 564 por quilograma, hoje a mesma quantidade vale US$ 2 mil.

A maior parte do comércio ilegal de animais silvestres é online. Produtos que incluem presas de elefante, chifres de rinocerontes, vesículas biliares de urso e bicos pássaros raros, como o calau, têm sido vistos para venda, de acordo com Zhou Fei, que trabalha em uma rede internacional de monitoramento de comércio de espécies selvagens na China.

(Reprodução/NextShark)

Fei explicou que estes produtos podem ser encontrados em sites de coleção de arte, fóruns on-line, grupos de WhatsApp e até mesmo no Facebook.

Preços de peças feitas de marfim podem variar de US$ 1.000 para um pequeno anel a mais de US$ 100.000 para um chifre de rinoceronte completo, de acordo com o Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW).

No ano passado, uma atriz chinesa de 28 anos foi presa por vender produtos de marfim ilegais e outros feitos de espécies ameaçadas de extinção, de acordo com o China Daily. Ela estava participando do negócio desde outubro de 2013 e já tinha alcançado um lucro de 450.000 yuan (US$ 72,405) antes de ser capturada.

Inicialmente, produtos animais selvagens ilegais eram procurados por questões de crenças que diziam que tê-los traria benefícios à saúde. Ao longo dos últimos anos, no entanto, estes produtos evoluíram para símbolos de status da elite chinesa ou como investimentos para a classe média.

"Precisamos abordar todas as peças do quebra-cabeça: pressão internacional, mudança de comportamento, liderança do governo, boa aplicação da lei e revisão das leis existentes", disse o diretor de campanhas da Agência de Investigação Ambiental, Julian Newman.

No entanto, o tempo está se esgotando.

"Os elefantes, rinocerontes e tigres não podem esperar muitos mais anos por uma mudança. Nós não temos muito tempo para algumas destas espécies ", completou Newman.

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Caminhando pelas ruas do Vietnã, é comum encontrar centenas de garrafas de vinho de cobra. A bebida, conhecida localmente como “zeo-zan”, é vendida livremente nas ruas. No sudeste da Ásia, a venda do vinho de cobra é legal, e o produto tem se tornado cada vez mais popular entre os turistas. O que está se tornando um problema pra espécie. Ao contrário dos turistas, os próprios vietnamitas estão tentando parar de usar animais selvagens na produção de bebidas e comidas, para evitar a extinção de várias espécies.