Peste deixa 39 mortos em Madagascar

Por Tsiresena MANJAKAHERY
A epidemia é propagada por ratos que invadem as casas por causa do desmatamento descontrolado

A ilha de Madagascar sofre este ano, mais do que nos anteriores, com uma propagação da peste que afetou 86 pessoas e matou 39, informou o Ministério da Saúde nesta quinta-feira.

A epidemia é propagada por ratos que invadem as casas sobretudo devido ao desmatamento sem controle na ilha, um país arrasado pela pobreza e por uma praga de gafanhotos sem precedentes este ano.

Este problema sanitário, surgido em plena campanha eleitoral, alimenta uma instabilidade socioeconômica que a crise política que se arrasta desde 2009 não solucionou.

"Há uma epidemia de peste atualmente em Madagascar em cinco distritos (nr: de 119). Oitenta e seis pessoas pegaram a peste, das quais 39 morreram", indicou o Ministério da Saúde em um comunicado obtido pela AFP.

Um médico da direção geral da Saúde em Antanarivo informou que 90% dos casos se contaminaram com a forma de peste pulmonar que é mais grave do que a forma mais comum - a peste bubônica ou peste negra - porque ela pode matar em três dias.

O primeiro falecimento foi registrado em uma cidade em plena floresta, a 150 km de Mandritsara (norte), acessível em moto e a pé, segundo esta fonte que não quis ser citada alegando motivos hierárquicos.

A morte ocorreu antes do mês de novembro, mas foi declarado oficialmente no dia 23 daquele mês.

O ministério pediu que a população "se consulte em caso de febre e dor de cabeça".

"Existem medicamentos para tratar esta doença e eles são gratuitos", acrescentou.

"Não destruam as florestas porque isto obriga os ratos a invadir as cidades. É preciso capturar os ratos vivos", acrescentou.

"Este ano há um recrudescimento dos incêndios florestais", afirmou o diretor-geral de florestas no Ministério do Meio Ambiente, Jean Claude Rabemanantsoa.

"Estamos em período eleitoral" e "em Madagascar, os incêndios florestas podem ser utilizados como uma forma de expressão política", afirmou.

Um fenômeno que não assusta mais os malgaches, os camponeses desenvolveram o hábito depois de vários anos de atear fogo à vegetação quando estão descontentes com a insegurança, o custo de vida, etc.

Além disso, "as chuvas e o lixo que se acumula atraem os ratos para as cidades e povoados", continuou o responsável.

A capital Antananarivo, onde não foi registrado nenhum caso de peste, sofre com o lixo a ponto de a delegação da União Europeia ter lançado ações de emergência para as regiões baixas da cidade, frequentemente inundadas.

Os eleitores foram convocados a votar na sexta-feira, 20 de dezembro, no segundo turno das eleições presidenciais, celebradas em conjunto com legislativas, e que pretendem por fim a um impasse criado pela indefinição do chefe de Estado.

Os dois campos responsáveis pela crise se enfrentam: o do governo de transição não eleito do ex-prefeito de Antananarivo Andry Rajoelina e o do ex-presidente deposto Marc Ravalomanana, exilado na África do Sul.

Os distritos afetados pela peste são Mandritsara (norte), Soanierana Ivongo (nordeste), Ikongo (sudeste), Tsiroanomandidy (centro-oeste) e Ikalamavony (centro-sul).

O ministério ressaltou que "as medidas necessárias já foram tomadas em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Instituto Pasteur de Madagascar" com "equipes já no local para cuidar dos doentes".