Peter Madsen, um 'psicopata afetuoso' movido por perversões sexuais

Por Camille BAS-WOHLERT
Ilustração de Anne Gyrite Schütt disponibilizada pela agência de notícias dinamarquesa Ritzau SCANPIX mostra o réu Peter Madsen durante julgamento em Copenhague, na Dinamarca, em 25 de abril de 2018

Descrito como um "polimorfo perverso" movido por perversões sexuais, de acordo com a justiça de seu país, o dinamarquês Peter Madsen, que se autodefine como um "psicopata afetuoso", foi declarado culpado nesta quarta-feira pelo assassinato da jornalista sueca Kim Wall, em agosto de 2017.

Apelidado "Racket Madsen" na Dinamarca, este engenheiro autodidata de 47 anos sonhava conquistar céus e mares. Alguns de seus familiares dizem que ele é um homem de temperamento errático, que não gosta de ser contrariado, enquanto outros garantem que é um cara "simpático".

Já os especialistas psiquiatras o veem como alguém "perverso" e "perigoso", que reincidirá se tiver oportunidade.

Na quarta-feira, foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato premeditado, precedido de agressões sexuais, da jornalista em seu submarino privado.

- Perversões sexuais -

Seu meio-irmão, Benny Langkjaer Egesø, disse durante o processo: Peter Madsen é "estranho" mas também "muito aberto e afável", muito longe do perfil de alguém capaz de cometer o crime pelo qual foi condenado.

No entanto, Madsen cometeu "um assassinato cínico, premeditado, de um caráter particularmente violento", consideraram nesta quarta-feira a juíza e os jurados do tribunal de Copenhague.

As circunstâncias do assassinato de Wall, que, segundo ele, morreu de forma acidental, são particularmente sórdidas, pois sua morte foi acompanhada de mutilações, espancamento e esquartejamento do corpo, cujos membros Madsen jogou no mar.

O condenado assegura que recorrerá da sentença.

Algumas testemunhas, incluindo ex-namoradas suas, descreveram-o como um homem com múltiplas "perversões sexuais", adepto ao sadomasoquismo.

No disco rígido de seu escritório foram encontrados vídeos de mulheres estupradas, assassinadas, queimadas ou enforcadas.

Para Madsen, seu submarino é alvo de uma "maldição".

"Essa maldição sou eu. Nunca haverá serenidade no 'Nautilus' enquanto eu exista", disse em 2015 a seus colaboradores, com os quais construiu o submarino, antes de brigar com eles.

- Ira e ambições -

Aos 15 anos, fundou sua primeira empresa, Danish Space Academy, com o objetivo de comprar peças para construir um foguete.

"Minha paixão é encontrar a forma de viajar por mundos além do conhecido", escreveu o inventor no portal de sua associação espacial, RML Space Lab.

Após a morte de seu pai, que compara com um "comandante de campo de concentração", começou a estudar engenharia, que abandonou quando considerou que já tinha aprendido bastante.

Em 2008, lançou o "UC3 Nautilus", então um dos maiores submarinos privados do mundo, e paralelamente seguiu em frente com sua ambição espacial. Em junho de 2011, lançou um foguete a partir de uma plataforma flutuante em frente à ilha de Bornholm, no mar Báltico.

Os primeiros foguetes que lançou ao espaço, até oito quilômetros de altitude, foram fruto de sua colaboração com um ex-arquiteto da Nasa, Kristian von Bengtson. Os dois se desentenderam em 2014, e Madsen criou a RML Space Lab com a esperança de alcançar seu sonho.