Petistas se irritam com Ciro em debate e o acusam de servir de cabo eleitoral de Bolsonaro

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 28.08.2022 - O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 28.08.2022 - O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A estratégia de Ciro Gomes (PDT) no debate deste domingo (28) irritou petistas, que o acusaram de servir de linha auxiliar de Jair Bolsonaro (PL). Há meses, Ciro vem equiparando Lula (PT) e Bolsonaro em suas críticas, apesar de no passado ter sido aliado dos petistas.

"Ciro mostrou que é a quinta coluna do bolsonarismo. Mostrou desequilíbrio, prepotência, deselegância, e prestou serviço de forma constrangedora ao Bolsonaro", disse o advogado Marco Aurélio de Carvalho, aliado de Lula.

A avaliação é compartilhada, reservadamente, na campanha bolsonarista.

O debate deste domingo, o primeiro da atual campanha presidencial, foi organizado em pool por Folha, UOL e TVs Bandeirantes e Cultura.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, aprovou o tom do candidato do seu partido no debate.

"[Ciro Gomes] encontrou o tom, foi objetivo, não perdeu um segundo nem ultrapassou o tempo, foi didático e apresentou projeto", avaliou. Ele diz não concordar com a avaliação de que Ciro estaria ajudando Bolsonaro, indiretamente.

O distanciamento entre Ciro e o PT começou por volta de 2018, quando Ciro foi candidato a presidente pelo PDT e não apoiou Fernando Haddad (PT) no segundo turno contra Jair Bolsonaro.

Na época, Ciro viajou para Paris depois de ficar em terceiro lugar no primeiro turno e voltou ao Brasil para votar no segundo turno.

O episódio foi lembrado por Lula durante o debate ao responder críticas do candidato do PDT. "Eu não saí do Brasil para não votar no Haddad", disse Lula. Nesse momento, Ciro respondeu fora do microfone, lembrando que o ex-presidente estava preso na ocasião.

Antes da cisão entre Ciro e Lula, ambos trabalharam juntos quando o pedetista foi ministro da Integração Nacional do petista entre 2003 e 2006.

A ligação continuou no segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, quando o irmão de Ciro, o senador Cid Gomes, foi ministro da Educação por cinco meses.

Apesar das diferenças, Lula deixou a porta aberta para negociar com o PDT em caso de vitória nas eleições deste ano ao dizer que gostaria de contar com o apoio da sigla em sua gestão. Em resposta, Ciro chamou o petista de "encantador de serpentes".

Nos bastidores, o PDT se mostra inclinado a apoiar o petista em um possível segundo turno contra Bolsonaro. Isso não inclui Ciro, que já disse repetidas vezes que não fará campanha para nenhum dos dois no segundo turno.