Petro, primeiro presidente de esquerda da Colômbia, garante maioria no Congresso antes de tomar posse

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

Às vésperas da instalação do novo Congresso colombiano nesta quarta-feira, o presidente eleito Gustavo Petro conseguiu o que tanto precisava para obter maiorias no Legislativo: um acordo com a bancada do La U, que serviu ao uribismo e ao santismo em décadas passadas, mas agora saltou para o petrismo, o primeiro projeto de esquerda a chegar ao poder na Colômbia.

“Alcançar um grande acordo nacional em prol dos esquecidos deve nos unir como país", escreveu a líder do partido, Dilian Francisca Toro, em suas redes sociais após a reunião na noite de terça, junto com uma foto sorrindo ao lado de Petro, que assume em 7 de agosto. “É um propósito que compartilhamos com o presidente Gustavo Petro, com quem estamos trabalhando hoje para construir uma agenda de paz social e política”, acrescentou.

Final desesperado: Sob tensão, Colômbia escolheu entre esquerda e populista adotado pela direita

Esperança da esquerda: Ex-guerrilheiro Gustavo Petro apostou em teimosia para se tornar primeiro presidente de esquerda da Colômbia

Com o apoio dos parlamentares do La U, o presidente eleito consolida sua coalizão partidária: obtém o apoio de 63 dos 108 senadores e 106 dos 188 deputados da Câmara. Um paradoxo é que o La U, partido fundado em 2006 graças ao ex-presidente Álvaro Uribe, grande adversário político de Petro, será agora peça-chave na aprovação das ambiciosas reformas esquerdistas prometidas pelo presidente eleito durante a campanha.

A adesão de La U é uma vitória para Petro, mas também para um de seus principais aliados durante a campanha, o senador Roy Barreras, político que agora está na coalizão Pacto Histórico de Petro, e que certamente será eleito presidente do Senado nesta quarta-feira. Barreras foi presidente do La U e deputado de 2010 a 2020, apoiou as reformas econômicas de Álvaro Uribe, mas também o processo de paz do ex-presidente Juan Manuel Santos. Embora tenha renunciado à sigla em 2020, ele agora é um dos caciques políticos que se reuniu com outros partidos durante toda a semana para garantir maioria a Petro.

O caminho não parecia tão fácil para Petro em março, quando ocorreram as eleições legislativas, dois meses antes das presidenciais. Embora naquela época o Pacto Histórico tenha conseguido eleger uma das maiores bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado, ainda não obteve maiorias. Mas, depois de ser eleito presidente em junho, a alta popularidade de Petro trabalhou a seu favor, e ele e seus aliados políticos realizaram uma maratona de reuniões com vários partidos para garantir o apoio de que precisam.

O mais óbvio veio primeiro. Partidos progressistas como a Aliança Verde declararam-se parte da coalizão de governo, e outros ideologicamente muito semelhantes, como o Comunes, partido formado por ex-integrantes das extintas Farc que tem direito a cinco cadeiras nas duas Casas. Mas a primeira grande vitória veio na semana passada, em 13 de julho, quando o Partido Liberal anunciou que faria parte da coalizão governista. Petro e o líder da sigla, César Gaviria, tiveram vários desentendimentos antes das eleições presidenciais.

O último esforço então se deu em torno dos três grandes partidos que ainda não tinham decidido entre ser independentes, governo ou oposição (de acordo com a lei colombiana, eles têm até 7 de setembro para se declarar em uma dessas três opções). Além do La U, havia o Partido Conservador, e seus militantes e dirigentes se dividiram sobre o assunto: o presidente do partido que queria ser da oposição renunciou, e o novo tem sido mais simpático à ideia de apoiar o governo em alguns casos. Eles ainda não decidiram.

O único partido que se declarou abertamente na oposição, como esperado, foi o Centro Democrático, liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, que tem 13 senadores e 16 deputados. Menos de 24 horas antes da posse do novo Congresso, o partido publicou um comunicado com seus motivos.

"Vamos nos opor às políticas governamentais de impostos altos que deterioram nosso sistema produtivo", diz ele sobre uma reforma tributária. “Vamos defender o setor agrícola da expropriação”, sobre uma possível reforma agrária, embora Petro tenha prometido várias vezes que não pretende expropriar. Ele também diz que vão proteger a austeridade do Estado —opondo-se à criação de novas burocracias— e que vão monitorar o que consideram “ameaças à institucionalidade da Polícia”, já que o presidente eleito disse que esta instituição deve deixar a gestão do Ministério da Defesa.

Os uribistas, porém, entram na nova legislatura sem seu líder natural, o ex-presidente Uribe, que foi senador no Congresso anterior até renunciar ao cargo quando avançou uma investigação criminal contra ele. Até agora, o Centro Democrático tem sido um dos grupos mais coesos do Congresso —diferentemente dos liberais, que agora apoiam o petrismo—, mas terão que mostrar como podem ser unidos sem a presença de Uribe no Senado.

O outro que deu a entender que será oposição —embora também tenha se reunido com Petro— é o ex-candidato presidencial Rodolfo Hernández, que foi derrotado no segundo turno, mas tem direito a uma vaga no Senado por ser o segundo candidato presidencial mais votado. "Meu compromisso será de oposição" , escreveu ele nas redes sociais ao receber sua credencial parlamentar. No primeiro ano legislativo que começa hoje, porém, a oposição entra no novo governo como minoria.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos