Petro vai atrás da juventude abstencionista ante avanço de rival na Colômbia

O opositor Gustavo Petro, empatado nas intenções de voto com seu adversário no segundo turno presidencial, o independente Rodolfo Hernández, voltará seus esforços para atrair a juventude abstencionista na Colômbia, em uma manobra similar a que, segundo ele, levou a esquerda ao poder no Chile.

Em entrevista à W Radio nesta quarta-feira, o senador e ex-guerrilheiro aceitou que a "realidade" hoje é que a Colômbia está dividida entre sua candidatura e a do excêntrico milionário, após o primeiro turno de domingo passado.

Petro, de 62 anos, venceu o primeiro turno com 40% dos votos e enfrentará Hernández nas urnas no segundo turno em 19 de junho. O candidato independente surpreendeu ao obter o segundo melhor resultado (28%), desbancando a direita no poder.

Na primeira pesquisa divulgada após as eleições, os dois aparecem tecnicamente empatados com cerca de 40% das preferências dos eleitores. Diante do avanço espetacular de seu adversário, Petro afirmou que daqui em diante se concentrará em dois "pontos-chave": atrair às urnas seus seguidores que não votaram acreditando que estava com a vitória assegurada e a juventude abstencionista.

"Os primeiros dados - ainda não temos informação mais concreta - mostram um alto índice de abstenção da juventude, como se podia prever diante do comportamento tradicional dos setores mais jovens, que são mais abstencionistas do que os de idade mais avançada", explicou o candidato apoiado por uma coalizão de forças de esquerda.

Nas eleições de domingo, a abstenção situou-se em 45%, sutilmente inferior à média histórica.

"Se a juventude votar maciçamente como aconteceu no Chile (...), aqui pode acontecer o mesmo", destacou Petro, que se declara alinhado ao presidente chileno, o esquerdista Gabriel Boric.

Segundo o candidato colombiano, no Chile a juventude que tinha se "mobilizado para mudar seu país" votou no segundo turno a favor de Boric e contra o ultradereitista José Antonio Kast, admirador da ditadura de Augusto Pinochet.

Antes do primeiro turno, Petro era o candidato favorito Dos jovens de 18 a 25 anos, segundo Pablo David Lemoine, dirigente do Centro Nacional de Consultoria, que nesta quarta divulgou a consulta que indica um empate técnico entre os dois candidatos.

À medida que aumenta a idade dos eleitores, diminui o apoio ao esquerdista. "Os jovens votam menos e isso impactaria Gustavo Petro", destacou em seu momento o analista em entrevista ao programa A Fondo, transmitido pelo Spotify.

Hernández, um empresário do ramo imobiliário sem partido, nem ideologia clara, chutou o tabuleiro da disputa presidencial graças a uma campanha atípica centrada na rede social TikTok e no combate à corrupção.

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