Petrobras adota novo contrato para definir preço de gás natural

Bruno Rosa
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RIO - A Petrobras anunciou hoje que aprovou novos modelos contratuais para venda de gás natural às distribuidoras. Na prática, a estatal quer ter outras formas de reajustar os preços do gás além de se basear na cotação do petróleo no mercado internacional e da taxa de câmbio. A partir de maio, começou a valer o aumento de 39% no preço do gás para as distribuidoras.

A companhia informou que o novo modelo de negociação contratual com as distribuidoras de gás canalizado vai prever reajustes atrelados às cotações do chamado "Henry Hub", um entroncamento de gasodutos no estado da Lousiana, no Golfo do México.

Trata-se de uma referência de preço usada nos Estados Unidos por reunir inúmeros vendedores e compradores de gás, que podem realizar livremente trocas entre si, gerando, com isso, a cada momento, um preço de equilíbrio, resultante dessas negociações, explicou a Petrobras em nota.

O objetivo da estatal com a nova referência é prover uma nova alternativa de precificação com "menor volatilidade, sem abrir mão do alinhamento com os preços internacionais".

Além disso, a Petrobras que hoje reajusta os contratos a cada três meses vai criar três alternativas: contratos de seis meses, um ano e quatro anos. Para especialistas, a mudança faz parte do acordo feito com o Cade para reduzir os preços no país e permitir uma maior concorrência.

Neste ano, a cotação média do Henry Hub foi está em cerca de US$ 2,67 por milhão de BTU (a unidade internacional do gás), menor que os US$ 5,50 por milhão de BTU cobrado no Brasil, sem levar em conta os impostos. Para especialistas, a redução no preço é essencial para estimular o consumo de gás por parte da indústria e permitir o aumento dos investimentos.

-Esse movimento da Petrobras representa o inicio da abertura do mercado de gás, com a Petrobras apresentando produtos diferentes aos clientes. É o início de um processo de negociação. Até então era uma proposta única - disse Rivaldo Moreira, presidente da Gas Energy.

A Abegás, associação que reúne as empresas de gás canalizado, disse que não teve acesso ao detalhamento do novo modelo proposto pela Petrobras.