Petrobras anucia aumento de 12% nos preços da gasolina

Ramona Ordoñez
Após sucessivas quedas, o preço da gasolina aumenta nesta quinta-feira

RIO – Com a recuperação da cotação do petróleo no mercado internacional e a disparada do câmbio, a Petrobras anunciou nesta quarta-feira o aumento dos preços da gasolina no país. O reajuste médio nas refinarias será de 12%, ou, em média, R$ 0,1097 por litro. Os novos valores passam a vigorar nesta quinta-feira.

Até o momento, a estatal não anunciou alterações nos preços do diesel. Esta é a segunda vez que a Petrobras aumenta os preços da gasolina no ano. No dia 20 de fevereiro o reajuste foi de 3%, que foi seguido por sucessivas reduções após o início do isolamento social, que fez a demanda despencar, e da crise internacional do petróleo.

Nos últimos dias, o barril do tipo Brent, referência no mercado internacional, começou a recuperar valor após tombo histórico. Nesta quarta-feira, ele está sendo negociado a US$ 28,95. No câmbio, do dia 1º de abril até 5 de maio, a valorização do dólar foi de 7,92%, passando de R$ 5,262 para R$ 5,679.

Para Sérgio Araujo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o reajuste é natural e, na sua opinião, menor que o esperado. Desde o dia 21 de abril, quando a estatal fez sua última alteração no preço do combustível, com corte de 8%, o dólar e o barril de petróleo se valorizaram.

— Eu entendo que a Petrobras demorou a reagir porque está com estoques de gasolina muito elevados e a volatilidade está alta. Então, ela aguarda uma certa estabilização para a tomada de decisão. Mas esse aumento anunciado hoje é pouco, ainda não chega na paridade — afirmou Araujo, que estima defasagem em torno de 20% nos preços da gasolina.

Por Termo de Compromisso de Cessação assinado ano passado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, a companhia é obrigada a acompanhar os preços internacionais dos combustíveis.

Analistas do mercado descartam que a atual defasagem nos preços seja resultado de orientação do governo federal. Eles acreditam que o problema está no estoque elevado por causa na queda na demanda. E a estatal tem pouca margem para reduzir a produção, pois o combustível é produzido junto com o GLP, gás usado nos botijões para consumo residencial.