Petrobras anuncia novo aumento do combustível sob críticas de Bolsonaro

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (17) um novo aumento dos preços da gasolina e do diesel, provocando novas críticas do presidente Jair Bolsonaro, que alertou que a companhia "pode mergulhar o país num caos" diante da disparada da inflação.

Após o anúncio, as ações ordinárias da Petrobras perderam 6,09% depois de registrarem uma queda de cerca de 10% na bolsa de São Paulo, em meio ao barulho político e a temores de possíveis medidas do Congresso para alterar a política tributária que rege a companhia.

A maior empresa da América Latina destacou em um comunicado que elevará em 5,18% o preço da gasolina em suas refinarias e em 14,26% o do diesel a partir de sábado, diante do cenário desafiador no Brasil e no mundo, em alusão à guerra na Ucrânia.

A Petrobras afirmou em nota que é "sensível ao momento em que o Brasil e o mundo estão enfrentando e compreende os reflexos que os preços dos combustíveis têm na vida dos cidadãos".

"Quando há uma mudança estrutural no patamar de preços globais, é necessário que a Petrobras busque a convergência com os preços de mercado", destacou a petroleira, afirmando, ainda, que esta medida elimina riscos de desabastecimento interno.

A política de preços da companhia segue a cotação internacional do petróleo.

O novo aumento é adotado três meses depois do último no caso da gasolina e 40 dias após o do diesel.

- "Traíram o povo brasileiro" -

Há meses Bolsonaro pede que a empresa contenha o aumento dos combustíveis, que impulsiona a inflação, prejudicial para sua popularidade com vistas às eleições presidenciais de outubro, quando tentará a reeleição.

No fim de maio, ele destituiu o terceiro presidente da companhia nomeado por ele desde que chegou ao poder, José Mauro Coelho, um mês apenas depois de assumir, mas sua saída ainda não se concretizou por entraves nos trâmites legais para fazê-lo.

Nesta sexta, em declarações a uma emissora de rádio local, Bolsonaro disse que Coelho e os diretores da Petrobras de que "traíram o povo brasileiro". E pediu a líderes do Congresso para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigá-los.

A Petrobras "pode mergulhar o Brasil num caos", advertiu em declarações em separado, lembrando a greve de caminhoneiros de 2018, que causou "consequências nefastas para a economia".

Em nota, a Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), que reúne caminhoneiros, ameaçou nesta sexta com uma greve e manifestou sua "indignação" diante dos aumentos.

Bolsonaro voltou a criticar os ganhos da Petrobras: é "algo estúpido, lucra seis vezes mais que a média das petrolíferas de todo o mundo".

A Petrobras registrou um lucro líquido de 44,561 bilhões de reais entre janeiro e março deste ano, 38 vezes o obtido no primeiro trimestre de 2021.

- Queda na bolsa -

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, propôs aumentar legislativamente os impostos sobre o lucro da companhia, que qualificou como absurdos.

Sugeriu, por exemplo, duplicar a chamada Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e que estes recursos cubram a diferença entre o preço local do diesel e o do exterior.

Segundo Jansen Costa, da assessoria Fatorial Investimentos, os investidores reagiram causando uma forte queda nas ações da petroleira "dadas as falas do presidente do Senado e da Câmara de querer interferir na tributação da empresa", afirmou, em vista do possível impacto em seus resultados.

No campo judicial, o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, nomeado por Bolsonaro, deu cinco dias para a companhia explicar os critérios dos aumentos nos últimos cinco anos.

De acordo com Costa, "é a tempestade perfeita porque junto com isso o petróleo lá fora cai 7%, 6%, o WTI nos EUA e tem um movimento de aversão ao risco".

A queda da Petrobras arrastou o Ibovespa, que fechou em queda de 2,9%.

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