Ataque de Bolsonaro à Petrobras tem digitais do Centrão e pode não ficar só no gogó

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Gasoline and diesel price are displayed near a gas station following the announcement of updated fuel prices at at the Brazilian oil company Petrobras in Brasilia, Brazil June 17, 2022. REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Como um certo líder alemão, Jair Bolsonaro declarou guerra em muitas frentes e corre o risco de deixar seu território desguarnecido.

Numa ponta, segue a mil o plano de melar a eleição com ataques diários, agora terceirizados para as armas do seu ministro da Defesa, contra o sistema eleitoral e os adversários que estarão do outro lado da cédula eletrônica. É uma briga também contra 73% que confiam no atual modelo de votação.

Mas, para o presidente, não basta só invadir a França, é preciso também atacar a Rússia.

Nessa outra frente, o inimigo da vez é a Petrobras (leia-se o mercado e seus acionistas). A estatal acaba de anunciar um novo aumento no preço dos combustíveis, dando a fagulha que pode provocar uma explosão no barril de insatisfação que Bolsonaro tanto teme.

O capitão já tinha trocado o ministro de Minas e Energia e anunciado a degola do presidente da Petrobras. José Mauro Coelho mal esquentou o assento. Virou um tampão à espera da reunião de conselheiros da companhia ou de uma outra obsessão que distraísse a meta presidencial.

Ele voltou à mira depois do reajuste. Pressionado, renunciou pouco mais de dois meses após sua indicação.

Bolsonaro aposta agora em Caio Paes de Andrade, que não tem as credenciais para assumir o posto. Falta a ele currículo e, principalmente, um período mínimo de experiência em cargos de chefia para assumir tamanha bomba.

Essas exigências estão previstas na Lei das Estatais, aprovada em 2016, ainda na gestão de Michel Temer, como resposta aos desmandos na Petrobras identificados durante a Lava Jato. Até então, era comum que indicados políticos montassem na estatal verdadeiros feudos de onde extraíam poder e dinheiro público.

O do PP (Partido Progressista), antiga legenda de Paulo Maluf e Jair Bolsonaro, era um deles. O ex-diretor de abastecimento Paulo Roberto Costa era indicação do partido. Preso e denunciado, ele se tornou um dos primeiros delatores do esquema.

Diferentemente dos ataques às urnas, os petardos disparados por Bolsonaro contra a Petrobras estão em consonância com os de Arthur Lira, presidente da Câmara e um dos principais caciques do PP –ao lado do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira.

Por isso essa guerra tem mais chances de avançar nas linhas inimigas.

Lira já diz em voz alta que um dos seus alvos é a própria lei das estatais. Justamente a que impede indicações políticas e outros arranjos que deveriam ter sido enterrados em 2016. Desossar as normas vigentes representaria uma volta triunfal de seu partido e sua turma, agora sob nova direção, ao topo da companhia.

Ah, sim: como pano de fundo tem aí uma suposta bronca com o preço dos combustíveis.

É o que, em tese, mobiliza Bolsonaro nos ataques aos dirigentes que ele mesmo escolheu não faz muito tempo. Se as mudanças anunciadas serão suficiente para alterar a atual política de preços, instituída também no governo Temer, aí já são outros 500.

Mas, também diferentemente de sua obsessão com as urnas, que mais afasta do que aproxima eleitores, principalmente os chamados moderados, essa nova frente pode reposicionar o presidente como um líder popular/populista, revoltado com os lucros dos acionistas minoritários e solidário com a pauperização da classe média dependente do automóvel e vulnerável às oscilações no preço dos combustíveis.

Por essa razão e outras más é que a guerra contra a Petrobras, anunciada às vésperas da eleição, pode não ficar só no gogó. E a criação de uma improvável CPI sobre a estatal já não é tão improvável assim.

Nessa fumaça tem o dedo do Centrão. E onde tem Centrão tem fogo.

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