Petrobras: Conselheiro propõe congelar preço por 45 dias e criação de grupo de trabalho

Em meio aos aumentos nos preços da gasolina e diesel, o conselheiro da Petrobras, Francisco Petros, indicado pelos acionistas minoritários, enviou carta para Adolfo Sachsida, ministro de Minas e Energia, Ciro Nogueira, ministro de Estado Chefe da Casa Civil, além de José Mauro Ferreira Coelho, presidente da Petrobras, e o governo Federal, para que seja formado um grupo de trabalho "com TODOS os agentes do mercado de combustíveis e membros do governo para estudar fórmulas que permitam o funcionamento do mercado em bases sustentáveis para o país e as empresas".

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A carta, ao qual O GLOBO teve acesso, explica que esse "grupo DEVERÁ apresentar resultados no prazo de 45 dias". O documento, datado desta sexta-feira, diz ainda que "durante o transcurso deste prazo a Petrobras se comprometeria a não reajustar os preços dos combustíveis na expectativa concreta de que sejam adotadas medidas razoáveis propostas pelo grupo de trabalho mencionado".

No documento, Francisco Petros diz ainda que "esta concreta expectativa, uma vez existente, estaria plenamente coadunada com os deveres dos administradores em perseguir os melhores interesses para a Petrobras. Para o governo, seria uma oportunidade concreta em buscar soluções de interesse público".

Petros é conselheiro independente da estatal e foi eleito esse ano após ser indicado pelos acionistas minoritários donos de ações ordinárias (ON, com direito a voto). O posicionamento do conselheiro ocorre no dia em que a Petrobras elevou os preços da gasolina e do diesel.

Na carta, o Conselheiro diz que é "notório o difícil momento pelo qual passa o setor de petróleo, fruto das instabilidades geopolíticas decorrentes da guerra entre a Ucrânia e a Rússia e seus consequentes efeitos setoriais para o segmento de petróleo, em particular, e de energia, em geral".

Assim, explica Petros, a situação atual do Brasil é "desafiadora". Classificou os impactos sobre os preços dos combustíveis e de energia como "enormes, sobretudo sobre os mais pobres e desprovidos da sociedade".

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Porém, o próprio Conselheiro diz que não é tarefa fácil exercer a gestão dos negócios em um ambiente recheado de dificuldades.

"Aqui também reconhecemos as dificuldades governamentais de exercer seu papel nesta conjuntura. Neste particular sentido, louvamos as iniciativas governamentais junto ao Congresso Nacional para reduzir a carga tributária sobre os combustíveis. De outro lado, sabe-se que esta medida infelizmente não soluciona os efeitos da elevação dos preços do petróleo sobre a cadeia produtiva e de negócios da Petrobras".

O tema é complexo, afirmou. Destacou na carta que são necessárias muitas variáveis "que têm de ser combinadas para que os preços não sejam demasiadamente afetados pelas fortes variações do mercado". Lembrou ainda a relação entre os interesses sociais e os fins lucrativos, "à luz das leis às quais obedece".

Comunicação do governo atrapalha

O conselheiro destacou ainda que "notável incompreensão" sobre a necessidade concreta de a Petrobras praticar preços que permitam a manutenção do abastecimento.

Além da instabilidade do mercado internacional, o conselheiro afirmou ainda que "o ambiente turbulento do mercado se agita muito mais em função da comunicação do governo em relação à empresa, bem como, as medidas que adota e que, no meu entender, prejudicam a boa governança corporativa de Petrobras".

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