Petrobras corta apoio aos principais festivais de cinema do país

Cena do filme ‘Temporada’, premiado no Festival de Brasília 2018 (Imagem: divulgação Vitrine)

A Petrobras decidiu não renovar o patrocínio a pelo menos treze projetos culturais, sob a justificativa de contenção de gastos. Entre as ações afetadas estão cinco dos principais eventos do calendário cinematográfico nacional: a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o Festival do Rio, o Festival de Brasília, o Festival de Vitória e o Anima Mundi, maior festival dedicado à animação na América Latina.

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Em entrevista à CBN, o produtor cultural Henrique Rocha, responsável pelo Festival de Brasília nos últimos anos, externou sua preocupação. “O que eu imagino é que a gente vai ter um ano de míngua. A gente corre um risco muito grande de interromper projetos continuados, que têm uma longa tradição, que têm muita importância, que têm um público imenso e que podem, simplesmente, serem realizados ou de forma pífia ou nem serem viabilizados”, alertou.

O Festival de Brasília, mais antigo do país, recebeu no ano passado R$ 600 mil da Petrobras em patrocínio direto e contratos de distribuição. O valor era a principal fonte para o pagamento de funcionários, despesas com o transporte de obras e artistas, além de materiais de divulgação.

A empresa estatal alega que, a partir de agora, pretende focar seus programas de patrocínio na áreas de ciência, tecnologia e educação.

O anúncio é mais um motivo de apreensão para o mercado audiovisual no país nas últimas semanas. No final de março, o Tribunal de Contas da União sugeriu a paralisação de repasses públicos para filmes e séries através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), questionando o sistema de prestação de contas. Além disso, o governo Bolsonaro acabou com o Ministério da Cultura, rebaixando seu status para uma secretaria dentro do recém-criado Ministério da Cidadania.