Petrobras diz que é cedo para dizer se haverá redução do preço da gasolina na bomba

Stephanie Tondo
Não há sinalização para que queda chegue aos preços do combustível na bomba

Apesar de o preço do barril de petróleo (Brent) ter fechado em queda de 24,10% nesta segunda-feira, cotado a US$ 34,36, ainda não há sinalizações para que essa redução chegue ao preço da gasolina nos postos. Para que o combustível ficasse mais barato, seria necessário que o barril permanecesse nesse patamar durante mais algumas semanas. E, ainda assim, analistas apontam que o dólar mais alto (subiu 2,03%, cotado a R$ 4,72) pode ajudar a amenizar a queda nos preços.

— A queda do valor do barril de petróleo é uma questão conjuntural que pode permanecer por esta semana, mas pode retornar aos patamates anteriores. A gente não estima que essa situação não vai perdurar no longo prazo, então pode ser que não tenha efeitos para o consumidor — aponta Karine Fragoso, gerente de Petróleo e Gás da Firjan.

Segundo ela, o preço da gasolina na bomba tem ainda outros componentes, como o dólar e os impostos, de modo que a queda do barril pode acabar sendo diluída.

— A bomba é impactada pelo preço do óleo, mas também pelo câmbio, então uma coisa compensa a outra — reforçou.

Dados da Petrobras mostram que a composição dos preços da gasolina ao consumidor é dividida da seguinte forma: 29% é o preço da refinaria ou importação (onde há o impacto do preço do barril), 45% impostos estaduais e federais, 14% é o custo do etanol adicionado ao combustível, e 12% distribuição e revenda.

Professor de Economia do Ibmec/SP, Walter Franco diz que é cedo para dizer se a Petrobras vai reduzir os preços nas refinarias:

— Acredito que a Petrobras vá observar esse momento de volatilidade com cuidado, e persistindo a queda, haveria possibilidade de reduzir os preços.

Em nota, a empresa informou que "considera prematuro fazer projeções sobre eventuais impactos estruturais no mercado de óleo e gás associados à recente e abrupta variação nos preços do petróleo, uma vez que ainda não estão claras  a intensidade e a  persistência do choque nos preços".

A companhia informou ainda que segue monitorando o mercado e "implementando seu plano estratégico, que a prepara para atuar com resiliência em cenários de preços baixos".

"Graças a este esforço e ao avanço tecnológico, a companhia vem continuamente reduzindo seus custos de operação no pré-sal e, por isso, suas operações são resistentes a cotações baixas de barril de petróleo, mesmo que permaneçam, na média, no atual patamar durante um ano. Cabe lembrar que outros fatores influenciam a rentabilidade da operação, tais como a taxa de câmbio", anunciou a empresa, em nota.

Muito além do preço baixo

Karine ressalta que, apesar de haver vantagens para o consumidor em uma possível redução do preço da gasoline, não é desejável que o preço do barril permaneça nesse patamar. Isso porque, principalmente no caso do estado do Rio de Janeiro, a queda no preço do Brent significa menos arrecadação de royalties e participações especiais.

— A permanência da condição de hoje para a média do ano geraria uma perda de arrecadação de royalties. Na União, estimamos uma perda de 23% em relação ao ano passado. Já no Rio de Janeiro, a queda seria de 18%, cerca de 2,3 bilhões — explica.

Já Walter Franco acredita que a maior preocupação no momento deve ser com a volatilidade do preço do barril e os impactos que pode ter na economia em geral. 

— Precisamos enxergar se essa redução veio para ficar, se é estratégica, porque aí vai causar danos. Ou se é um prenúncio de desaquecimento da economia mundial, e aí é ainda mais grave. Se for apenas especulativa, aí a economia perde menos.

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