Petrobras atinge alavancagem competitiva frente a pares e avalia mais dividendos

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O presidente da Petrobras

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) -Desde 2018, a Petrobras reduziu quase pela metade seu endividamento bruto com a execução de uma política de rígida disciplina de capital e desinvestimentos, obtendo agora um nível de alavancagem que a coloca mais próxima de suas concorrentes globais, afirmou a empresa em apresentação nesta sexta-feira.

A situação financeira, obtida ainda com uma política de preços de combustíveis que segue as variações do mercado, permite que a empresa possa avaliar mais retornos aos acionistas, algo que beneficiaria a sociedade como um todo, defenderam os executivos da estatal nesta sexta-feira.

O diretor financeiro da Petrobras, Rodrigo Araujo, ressaltou a trajetória de recuperação da empresa, que reduziu a dívida bruta de 111 bilhões de dólares em 2018 para 59,6 bilhões de dólares no final do terceiro trimestre, batendo antecipadamente uma meta prevista para 2022.

"Os 60 bilhões de dólares (meta da dívida) representam um marco bastante importante, porque nos coloca, quando olhamos diversas métricas, ele nos coloca em um nível de alavancagem bastante competitivo em relação às empresas pares, em condição de competir de maneira mais efetiva com os nossos pares internacionais", destacou ele.

Os comentários forem feitos durante teleconferência com investidores para comentar o lucro líquido de mais de 31 bilhões de reais no terceiro trimestre, divulgado na quinta-feira.

Segundo ele, a estrutura de capital "bastante adequada", com redução do endividamento líquido para 48,1 bilhões de dólares, permite que a empresa "navegue" mesmo em cenários mais desafiadores de preços de petróleo, como no ano passado, que teve o Brent de 40 dólares o barril, menos da metade do valor atual.

Na medida em que a companhia recupera sua saúde financeira, com a relação dívida bruta/Ebitda ajustado passando de 1,78 vez em 30 de junho para 1,45 vez em 30 de setembro, o compromisso é retornar o "máximo possível" os resultados para os acionistas, que incluem a União, sócia majoritária.

Ele lembrou que 2021 é um "ano de transição" para a política de dividendos, e não descartou novas antecipações de remunerações aos acionistas neste ano, dependendo dos resultados do quarto trimestre.

"Para 2021, podemos eventualmente anunciar uma distribuição adicional, e partir de 2022 a expectativa é cumprir com a política...", declarou.

Pela política de dividendos da Petrobras, a empresa distribui 60% do fluxo de caixa livre, "assegurando o retorno dos valores que a gente gera após os investimentos", disse o executivo.

"Este é o nosso foco em termos de dividendos para o futuro."

"LUCRO PELO LUCRO"

No mesmo evento, o presidente da companhia, Joaquim Silva e Luna, afirmou que a Petrobras continuará com sua disciplina de capital e reforçou que a empresa adota políticas que visam os melhores retornos aos acionistas e consequentemente para a sociedade brasileira, apesar de pressões por mudanças nas regras da empresa para a definição de preços de combustíveis, que tiveram uma escalada neste ano.

Luna lembrou que o Conselho de Administração da petroleira estatal aprovou na véspera mais uma antecipação de remuneração aos acionistas, somando agora 63,4 bilhões de reais referentes aos resultados de 2021, e destacou que a União, como maior acionista, ficará com grande parte dos recursos.

"Em 2021, os sólidos resultados permitirão que a sociedade brasileira, por meio da União, receba 23,3 bilhões de reais em dividendos, são recursos que ajudam a sustentar políticas públicas para todos os brasileiros e que beneficiam especialmente os mais vulneráveis", declarou ele.

Os comentários foram feitos após o presidente Jair Bolsonaro afirmar na véspera que a Petrobras tem de ter um papel social e não pode ser uma empresa que dê "lucro tão alto". As declarações ainda ocorreram antes de uma anunciada paralisação de caminhoneiros na próxima segunda-feira, em protesto contra a alta dos preços de combustíveis.

Sem mencionar Bolsonaro, que o indicou para o cargo de presidente da empresa, Luna disse que, "quanto mais saudável geradora de recursos, mais a empresa consegue devolver riquezas à sociedade em forma de tributos, para municípios, Estados e União".

"Continuaremos atuando com disciplina de capital, investindo em ativos com altas taxas de retorno, com foco na geração de valor para a sociedade. O resultado numérico desse trabalho é traduzido em lucro", disse Luna.

E ele acrescentou: "Mas é bom enfatizar que a Petrobras não persegue o lucro pelo lucro, o nosso objetivo é retornar valor para os nossos acionistas e para a sociedade, por meio de impostos, dividendos e geração de empregos e investimentos, que dentro do contexto da transição energética devem ser acelerados", comentou.

Balanço da véspera indicou que a Petrobras recolheu 134,1 bilhões de reais em tributos aos cofres públicos de janeiro a setembro, alta de 43,4% ante o mesmo período do ano passado, impulsionada principalmente pelo ICMS e pelas Participações Governamentais (royalties e Participação Especial da produção de petróleo).

Questionado durante o evento, o diretor de Comercialização e Logística da Petrobras, Cláudio Mastella, reafirmou que a companhia segue "com firmeza" a política de preços de combustíveis que se baseia em análises técnicas independentes.

Ele disse que a empresa mantém "o compromisso de praticar preços competitivos", mas evitando repassar para o mercado e clientes as volatilidades externas e da taxa de câmbio causadas por eventos conjunturais.

(Por Roberto Samora; com reportagem adicional de Gram Slattery; edição de Marta Nogueira)

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