Petrobras não tem um presidente militar há 36 anos

O Globo
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RIO - A decisão do presidente Jair Bolsonaro de substituir o atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, pelo general Joaquim Silva e Luna. traz de volta um militar ao comando da estatal.

Isso não acontecia desde 1985, quando o capitão da Marinha Thelmo Dutra de Rezende foi substituído à frente da Petrobras pelo advogado Hélio Beltrão, na transição do governo de João Figueiredo, o último presidente do regime militar, e o de José Sarney (MDB).

Sarney assumiu em março de 1985 no lugar do presidente eleito Tancredo Neves, que morreria em abril. A indicação de Beltrão para dirigir a maior estatal brasileira encerrou um longo ciclo de militares à frente da estatal.

Embora o marechal Castelo Branco tenha nomeado um militar — o marechal Adhemar de Queiroz — para dirigir a Petrobras ao assumir o poder a partir do golpe militar de 1964, os dois últimos presidentes da estatal no governo do presidente deposto, João Goulart, também eram militares.

No período autoritário, vários militares de alta patente passaram pela direção da Petrobras em meio a um processo de forte expansão da estatal. Um deles foi o general Ernesto Geisel, nomeado por Emílio Garrastazu Médici. Geisel dirigiu a Petrobras entre 1969 e 1973. No ano seguinte, ele se tornaria presidente da República.

Ao longo dos 21 anos de ditadura militar, o único civil à frente da Petrobras foi o político Shigeaki Ueki, no governo Figueiredo, de 1979 a 1984, tendo sido sucedido pelo capitão Rezende.

Desde a redemocratização, os militares haviam se mantido afastados da cúpúla da estatal. Voltaram com a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018. A partir de 2019, ele indicou o almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira para a presidência do Conselho de Administração da Petrobras.