Petrobras: pagamento antecipado de dividendos é baseado em fluxo de caixa futuro. Entenda

Rodrigo Araujo Alves, diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores da Petrobras, disse, durante apresentação de resultados financeiros do terceiro trimestre, que o pagamento de dividendos, anunciado ontem, foi feito olhando o fluxo de caixa da estatal para os próximos 18 meses da companhia.

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Ontem, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou por maioria a distribuição de dividendos antecipados aos acionistas no valor de R$ 43,7 bilhões. A decisão desagradou a equipe do PT e gerou reações diversas. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Anapetro, a associação que representa os petroleiros acionistas minoritários da Petrobras, vão recorrer à Justiça e entrar com ação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

- Sempre mantendo a sustentabilidade financeira da companhia e olhando o que vem de fluxo de caixa nos próximos 18 meses, fazendo todos os investimentos - explicou Araujo.

O executivo lembrou também que a sustentabilidade financeira guia a política de dividendos:

-- A gente utiliza nossa fórmula da política de dividendos de 60% do fluxo de caixa livre gerado no trimestre. E, quando eu digo que a gente olha e faz avaliação do cenário prospectivo, a gente olha porque um do pilares da nossa política é assegurar a sustentabilidade financeira de curto, médio e longo prazos da companhia. E todas as decisões asseguram essa sustentabilidade e sempre são tomadas com responsabilidade - afirmou.

Ontem, a estatal anunciou lucro líquido de R$ 46,096 bilhões no terceiro trimestre deste ano influenciado pelo avanço do preço do petróleo. É uma alta de 48% em relação ao terceiro trimestre do ano passado, quando registrou ganhos de R$ 31,14 bilhões.

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O presidente da Petrobras, Caio Paes de Andrade, não participou da abertura do evento online.

Analistas perguntaram sobre dividendos. Um deles questionou qual seria o processo de mudança na política de dividendos da estatal. Araujo explicou que em "um processo normal" a proposta partiria da área financeira, passaria pela diretoria executiva e depois seria decidido pelo Conselho de Administração. Mas ressaltou que quem tem competência para mudar é o colegiado:

- A política de dividendos é de competência do Conselho de Administração. O Conselho de Administração pode alterar a qualquer momento.

Araujo destacou que não há qualquer previsão de alteração de política de dividendos da companhia.

As dúvidas do mercado

Além dos dividendos, analistas mostraram preocupação sobre o futuro da política de preços, venda de ativos, plano de investimento da estatal e a agenda ambiental.

Em uma das perguntas sobre a venda de ativos, diretores da empresas destacaram que a venda de 5% do campo de Búzios para os chineses da CNOOC deve ser concluído ainda nesse mês de novembro. A operação, que já estava prevista, vai permitir que a estatal receba US$ 2,12 bilhões.

Segundo o diretor de Exploração, Fernando Borges, a operação deve estar valendo já em dezembro. Além disso, no terceiro trimestre, as entradas de caixa referentes aos desinvestimentos totalizaram US$ 537 milhões, incluindo o recebimento do pagamento pela venda Gaspetro no valor US$ 392 milhões. No ano, foram US$ 3,9 bilhões da venda de ativos.

Além disso, Araujo lembrou ainda que a estatal conseguiu derrubar a liminar e dar prosseguimento ao processo de venda dos campos em terra chamado o polo Bahia Terra:

- E temos ainda diversos signs ao longo do ano e estamos engajados em fazer os closings.

Cláudio Mastella, diretor de Comercialização e Logística da Petrobras, evitou fazer comentários sobre reajustes dos combustíveis.

- Não repassamos volatilidade e podemos instantaneamente ficar acima ou abaixo. O mercado desse ano segue sendo atendido por diversos atores. A Petrobras respondeu por menos da metade das importações neste ano.