Petrobras prevê licença para perfurar Foz do Amazonas antes de novo governo

Costa do Amapá

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras prevê receber neste fim de ano licença ambiental do Ibama para perfurar poço na Bacia da Foz do Rio Amazonas, na costa do Amapá, uma das grandes apostas exploratórias da petroleira.

Caso a licença seja concedida, ocorreria antes da mudança de governo de Jair Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Há questões se o futuro governo poderia adotar orientações mais rígidas do que a atual administração no que diz respeito a autorizações ambientais.

A autorização do Ibama, que viria mais de nove anos após o governo brasileiro ter concedido as áreas para a exploração, deverá ocorrer após a realização de um grande simulado de emergência com vazamento, afirmaram executivos da companhia nesta sexta-feira em teleconferência com analistas.

Ainda não se sabe se a mudança do governo federal pode mudar os rumos dos investimentos na região, uma vez que o presidente eleito não detalhou em sua campanha suas intenções relacionadas à exploração de petróleo na Amazônia.

Diversas áreas exploratórias na Foz do Amazonas foram leiloadas para exploração ainda no governo de Dilma Rousseff, em 2013.

Mas as tentativas de perfuração de petróleo na costa do Amapá atraíram protestos de ambientalistas e escrutínio de reguladores. Como resultado, por exemplo, a TotalEnergies e a BP transferiram a operação de algumas áreas para a Petrobras, mesmo após investimentos realizados.

Procurado, o Ibama não comentou o assunto imediatamente.

NOVAS FRONTEIRAS

A Petrobras segue com a missão, que busca abrir na região --rica em ecossistemas e com geologia ainda pouco conhecida-- uma nova fronteira exploratória, após a Exxon Mobil ter feito importante descoberta na Guiana, mais ao norte e com geologia semelhante.

"A gente enxerga potencial sim na Margem Equatorial, estamos prevendo que início de dezembro já tenhamos feito o simulado com o acompanhamento do Ibama", disse o diretor-executivo de Relacionamento Institucional e Sustentabilidade, Rafael Chaves.

"Vamos iniciar a perfuração, estamos com calendário para tentar fazer ainda este ano, e é importante que a gente comece. O primeiro óleo previsto para a próxima década, lembrando que a nossa indústria é de ciclo longo."

Chaves disse ainda que a participação dos combustíveis fósseis vai continuar nas próximas décadas.

"A Petrobras produz petróleo duplamente resiliente, com baixa emissão de gases de efeito estufa e baixo custo de produção, e temos otimismo muito grande com relação à Margem Equatorial."

O investimento na Foz do Amazonas está contido em um plano maior da petroleira, que visa outras atividades na Margem Equatorial como um todo, com aporte de mais de 2 bilhões de dólares e previsão de 14 novos poços, quando considerado o plano de negócios 2022-2026.

O diretor-executivo de Exploração e Produção, Fernando Borges, ressaltou que o próximo poço previsto, após a Foz do Amazonas, seria na descoberta de Pitu, em águas profundas da Bacia Potiguar. Ele também reiterou as expectativas com Sergipe Águas Profundas, onde já há a declaração de comercialidade de sete campos e a empresa prevê a contratação de duas plataformas.

"Apesar de a Margem Equatorial já contar com mais de 400 poços perfurados..., a gente hoje explora uma faixa mais profunda, tem uma correlação boa de continuidade com o que já está descoberto e produzindo na Guiana e descobertas no Suriname", destacou Borges.

SIMULADO

Na véspera, a Reuters publicou que uma sonda a serviço da petroleira deixará a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, neste fim de semana rumo à locação na Foz do Amazonas para a realização do simulado.

A sonda de perfuração, chamada ODN II, da Ocyan, deverá chegar à locação entre 15 e 17 de novembro. O simulado, que reproduzirá uma situação acidental prevista no plano de emergência da sonda, está previsto para ocorrer entre 5 e 15 de dezembro.

Com cerca de 450 pessoas envolvidas, a atividade irá simular sob a supervisão do Ibama um acidente com vazamento de petróleo e testar a efetividade dos recursos no controle da contingência e da contenção do derramamento.

A Petrobras havia informado anteriormente que o poço que aguarda a licença está na fronteira com a Guiana Francesa, a 160 km da costa do extremo norte do Amapá. A perfuração ocorreria a 40 km da divisa com a Guiana, a uma profundidade de 2.500 metros de lâmina d'água.