Petrobras reduz diesel em 3,3% nas refinarias; mantém gasolina

Marta Nogueira
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Caminhão-tanque descarrega combustível em posto em Porto Alegre (RS)

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras anunciou redução de cerca de 3,3% no preço médio do diesel nas refinarias a partir de sábado, para 2,66 reais por litro, informou a petroleira em comunicado nesta sexta-feira, indicando manutenção do valor da gasolina.

Esta é a segunda vez que a companhia reduz o valor médio do diesel vendido às distribuidoras neste ano, mas o combustível da estatal ainda assim tem alta de mais de 30% no ano, com a cotação ficando agora perto da paridade de importação, segundo analistas. Em 25 de março, a petroleira havia reduzido em 4% o valor médio do combustível fóssil.

A Petrobras reafirmou em nota que suas cotações buscam equilíbrio com o mercado internacional e acompanham as variações do valor dos produtos e da taxa de câmbio, para cima e para baixo. Ao mesmo tempo, a empresa comentou que o seu sistema "evita o repasse imediato da volatilidade externa para os preços internos".

"Mais recentemente, pode-se citar o bloqueio do Canal de Suez, cujo efeito sobre os preços internacionais não impactou os preços de combustíveis no Brasil", disse a empresa.

A estatal frisou ainda que seus ajustes nas refinarias têm influência limitada sobre os preços percebidos pelos consumidores finais. Os valores nas bombas ainda são impactados por fatores como impostos, mistura de biodiesel e margens das distribuidoras e revendedoras.

"Na nossa visão esse reajuste de 8 centavos é um complemento do saldo que ficou da última movimentação de preços, de 25 de março, quando a Petrobras fez uma movimentação", disse o sócio da Raion Consultoria, Eduardo Melo.

"Anterior a isso, houve uma queda muito brusca de preços do barril do petróleo e do câmbio e isso fez com que abrisse um espaço para movimentação maior de preço.. A gente entende que a Petrobras agora repassou esse saldo, e aí sim os preços estão em um alinhamento com os internacionais."

O chefe da área de óleo e gás da consultoria INTL FCStone, Thadeu Silva, no entanto, considera que há ainda uma pequena janela para reduzir preços, mas que o movimento está em linha com a política da empresa.

"Houve uma acomodação no mercado internacional... já dava para dar essa redução junto com a última, a Petrobras esperou um pouco para ver", afirmou.

Apesar do corte anunciado nesta sexta-feira, o valor do diesel nos pontos de venda da Petrobras acumulam alta de aproximadamente 32%.

Já a gasolina ainda tem aumento de quase 41% frente aos valores praticados no início de 2021.

Nos postos de combustíveis, enquanto isso, o valor para os consumidores têm mantido tendência de elevação, mesmo depois do corte pela Petrobras nos valores da gasolina no mês passado.

Levantamento da Ticket Log apontou alta de 9,39% em março ante o mês anterior, para 4,487 reais por litro.

TENDÊNCIA ALTISTA

O corte de preço vem em um momento em que crescem os temores relacionados a uma alta mais importante de preços de diesel nos postos de combustíveis no Brasil a partir de maio, devido a uma tendência altista para o biodiesel misturado no diesel vendido nos postos e por uma perspectiva de que haja retorno da cobrança de PIS/Cofins sobre o combustível.

Na terça-feira, a reguladora ANP suspendeu etapa 3A do 79º Leilão de Biodiesel, que visa abastecer o mercado em maio e junho, ao atender solicitação do Ministério de Minas e Energia, quando os preços já apontavam para 7,5 reais por litro, segundo relatos no mercado.

Atualmente, o diesel vendido nos postos de combustíveis brasileiros recebe uma mistura de 13% de biodiesel.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) alegou na véspera que a decisão pela suspensão impediu que os preços caíssem com o desenvolvimento do certame.

A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), que representa os postos de combustíveis no país, afirmou em nota que enviou ofício ao presidente Jair Bolsonaro, manifestando preocupação sobre possíveis impactos que o preço do biodiesel terá na formação dos custos do diesel, a partir de 1º de maio.

Também no início do próximo mês está previsto o retorno da cobrança de PIS/Cofins sobre o diesel, que foi suspensa temporariamente por Bolsonaro como forma de segurar os preços e acalmar protestos de caminhoneiros que ameaçavam realizar uma greve em fevereiro.

(Por Marta Nogueira)