Petrobras reduz impacto da greve para 127 mil barris/dia de petróleo e recorre à Justiça

Faixa com anúncio de greve em frente à Refinaria Duque de Caxias, da Petrobras, perto do Rio de Janeiro. 03/11/2015 REUTERS/Ricardo Moraes

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras afirmou que reduziu para 127 mil barris de petróleo a perda na produção diária de petróleo desta quinta-feira devido à greve de petroleiros, ante um impacto de 134 mil barris registrado na véspera. O movimento coordenado pelas entidades sindicais interrompeu ou reduziu a produção de petróleo em diversas plataformas desde domingo, mas a estatal afirmou em comunicado divulgado na noite desta quinta-feira que está conseguindo reduzir o impacto da greve por meio do seu plano de contingência. No entanto, a petroleira disse que há casos isolados de ocupação de instalações e controle da produção que impedem o trabalho das equipes de contingência e que está tomando medidas jurídicas cabíveis para resguardar seus direitos. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) disse em nota que a Petrobras está recorrendo "a instrumentos jurídicos arbitrários contra os sindicatos na tentativa de barrar a greve da categoria". Uma fonte da Petrobras disse mais cedo à Reuters que a perda acumulada na produção de petróleo desde o início da greve é de aproximadamente 700 mil barris, o que gera um prejuízo significativo para os cofres da empresa. "Petróleo não produzido é petróleo não contabilizado e isso tem um impacto sobre as finanças da empresa. Lá na frente dá para tentar recuperar, mas o que passou, passou", disse. Na segunda-feira, a perda diária na produção foi de 273 mil barris, enquanto que na terça-feira o impacto foi de 178 mil barris e na quarta-feira, de 140 mil barris. "É natural haver uma redução à medida que os planos de contingência são acionados e organizados para minimizar impactos", disse a fonte. "A tendência, agora, a cada dia que passa é diminuir ou estabilizar." De acordo com a fonte da Petrobras, as negociações com os petroleiros estão abertas, mas ainda não é possível prever um acordo que permita encerrar a paralisação. "Estamos trabalhando para acelerar as negociações e retomar logo, ainda sem data precisa, a normalização da produção", disse a fonte que preferiu não ser identificada. Os petroleiros reivindicam, além de reajuste salarial, a suspensão do processo de venda de ativos da estatal e a retomada dos investimentos que foram revisados recentemente frente à queda do preço do barril do petróleo no mercado mundial e à valorização do dólar em relação ao real. A empresa, envolvida em um escândalo de corrupção, quer vender 15,1 bilhões de dólares em ativos até o fim de 2016 como forma de reduzir seu elevado endividamento. A Petrobras, segundo a fonte, não cogita atender os pleitos relativos aos investimentos e mantém a proposta de reajuste salarial de 8,11 por cento para a categoria. "Esse tipo de reivindicação não tem como ser colocada na mesa. É difícil negociar uma coisa dessas. Vamos chegar num acordo em algum momento. A pauta de investimento e desinvestimento está fora da mesa", avaliou a fonte. "Há um impasse e esperamos que eles entendam que a estratégia da empresa não passa por acordo sindical... a companhia precisa recuperar seu equilíbrio financeiro, seu caixa para voltar a crescer. As pessoas têm que olhar o contexto e ver que não há muita margem nesse momento da companhia e do país", disse. (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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