Petrobras faz 1º corte no diesel em mais de um ano seguindo recuo do petróleo

Tanques de combustíveis da Petrobras

Por Rafaella Barros e Rodrigo Viga Gaier

(Reuters) - A Petrobras divulgou nesta quinta-feira um corte de 3,56% do diesel A (puro), que entrará em vigor nas refinarias na sexta-feira, na primeira redução desde o início de maio do ano passado, à medida que a estatal repassa uma cotação internacional estabilizada em patamar mais baixo.

O preço médio do combustível às distribuidoras terá queda de 20 centavos, para 5,41 reais por litro. Apesar da redução, o diesel da Petrobras seguirá em patamar que é o dobro do visto há pouco mais de um ano, já que desde meados de 2021 os valores da empresa só subiram.

O petróleo Brent no mercado internacional atingiu nesta quinta-feira o nível de cerca de 93,50 dólares o barril, o menor desde 21 de fevereiro, antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, com preocupações de que recessão da economia global possa afetar a demanda.

Em 1º de maio de 2021, a última vez que a Petrobras efetuou uma redução no diesel, o barril era cotado a quase 70 dólares.

"Essa redução acompanha a evolução dos preços de referência, que se estabilizaram em patamar inferior para o diesel, e é coerente com a prática de preços da Petrobras...", disse a companhia, em nota.

A empresa citou ainda que "busca o equilíbrio dos seus preços com o mercado global, mas sem o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio".

O comunicado reiterou a política de preços da Petrobras, diante de temores do mercado sobre eventual ingerência do governo de Jair Bolsonaro, que tenta a reeleição. O presidente já trocou o CEO da Petrobras em três oportunidades devido ao descontentamento com o rumo da política de combustíveis.

"Nada a ver com a mudança de comando. O que mudou foi o petróleo. O mercado tem cedido bem lá fora e isso justifica", disse à Reuters uma fonte próxima da companhia.

O sócio-diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, que chegou a ser apontado para atuar como CEO da empresa mas não assumiu por questões relacionadas a conflitos de interesses, faz avaliação semelhante.

"Há perspectiva de uma recessão mundial por conta da alta dos juros nos EUA e na Europa. Nossos preços estão acima dos preços internacionais e há espaço para reduções do diesel e da gasolina daqui pra frente", disse Pires.

Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), hoje foi o 13º dia seguido em que o preço médio do diesel no país estava superior ao da média internacional, variando de 10 a 51 centavos por litro.

O preço mais alto no mercado interno é o principal fator para manter o interesse de importadores em fornecer o combustível para o Brasil. O país importa de 30% a 35% do diesel que consome.

Segundo Pires, porém, ainda é possível fazer novas reduções mantendo-se a atratividade para os importadores.

"A meu ver daria para reduzir a gasolina uns 10 centavos e o diesel em 15 centavos. O Caio está dando sorte", disse Pires, referindo-se ao presidente da Petrobras, Caio Mário Paes de Andrade, que assumiu o cargo em 28 de junho.

A companhia já reduziu os preços da gasolina A (pura) duas vezes neste ano, ambas em julho: 4,9% no dia 20 e 3,89% no dia 29.

(Por Rafaella Barros, Gabriel Araujo e Rodrigo Viga)

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