Petrobras sobe preço da gasolina em 7,5%; importadores veem espaço para nova alta

Sede da Petrobras no Rio

Por Letícia Fucuchima e Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras subirá em 7,5% os preços de venda da gasolina a distribuidoras a partir de quarta-feira, na primeira alta do combustível em cerca de seis meses, após a cotação do petróleo e o comportamento do câmbio terem elevado a defasagem dos preços internos frente aos internacionais.

O preço médio da gasolina da Petrobras vendida às distribuidoras passará para 3,31 reais por litro, um aumento de 23 centavos por litro.

"Esse aumento acompanha a evolução dos preços de referência e é coerente com a prática de preços da Petrobras, que busca o equilíbrio dos seus preços com o mercado, mas sem o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações e da taxa de câmbio", disse a petroleira, em comunicado.

Pedro Rodrigues, sócio e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), avalia que o reajuste de preços teve embasamento técnico, uma vez que a cotação do barril de petróleo está em alta e o câmbio tem sido pressionado por turbulências no cenário de político local.

Na véspera, os preços do petróleo tocaram máximas de sete semanas, com o Brent negociado a 88 dólares/barril. As cotações têm sido impulsionadas pelo otimismo sobre uma possível recuperação na demanda da China, maior importadora de petróleo do mundo, à medida que a economia se recupera de bloqueios devido à pandemia.

Esse cenário, somado ao do câmbio, contribuiu para elevar a defasagem de preços de combustíveis no Brasil em relação aos internacionais.

Cálculos da associação dos importadores de combustíveis Abicom divulgados nesta terça-feira apontam que a gasolina apresenta uma defasagem média de 14%, ou 49 centavos, enquanto o diesel S-10 puro (sem adição de biodiesel) tem defasagem de 9%, o equivalente a 47 centavos.

"É uma sinalização boa, apesar de não resolver plenamente o problema... Esperamos que a Petrobras continue aplicando os reajustes de acordo com a variação no mercado internacional sim, como deve ser feito", disse Sergio Araujo, presidente executivo da Abicom.

A expectativa é que a petroleira também reajuste para cima os preços do diesel, aponta o sócio-diretor da Raion Consultoria, Eduardo Oliveira de Melo. O Brasil é um grande comprador do combustível no exterior, importando volumes muito maiores se comparados aos da gasolina.

Em relação à velocidade do reajuste, Rodrigues, do CBIE, ressalta que essa é uma decisão comercial da petroleira, que, ao subir os preços, alivia a pressão da defasagem mas acaba abrindo espaço para potencial perda de mercado para os importadores.

A primeira elevação dos preços da gasolina desde junho de 2022 ocorre na mesma semana em que o conselho de administração da Petrobras deve votar a indicação do senador Jean Paul Prates (PT-RN) à presidência da companhia.

"O fator sorte também está no jogo. O Jean Paul (Prates) vai assumir, talvez ele não tenha que canetar um aumento logo no seu primeiro ato, mas ele vai ter que conviver em sua gestão, se ele realmente entrar, com essa política", disse o sócio do CBIE, lembrando que a prática seguirá vigente até que a Petrobras eventualmente decida rever sua política de preços.

(Por Letícia Fucuchima, Marta Nogueira e Gabriel Araujo)