Petrobras tem lucro de R$31,14 bi no 3º tri; bate meta de redução de dívida

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Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro

Por Marta Nogueira e Roberto Samora

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras teve lucro líquido de 31,14 bilhões de reais no terceiro trimestre, contra prejuízo líquido de 1,55 bilhão de reais no mesmo período de 2020, com impulso de itens não recorrentes, informou nesta quinta-feira a companhia, que também bateu sua meta de redução de dívida.

O valor superou com folga estimativa de analistas feita pela Refinitiv, que previa lucro líquido de 20 bilhões de reais.

O resultado foi comemorado pelo presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, que ressaltou que a empresa bateu a meta de dívida bruta antes da hora e aprovou remunerações adicionais aos acionistas, o que inclui o governo federal.

"Atingimos nossa meta de endividamento muito antes do planejado e estamos dividindo parte das riquezas geradas com a sociedade e nossos acionistas através de impostos, dividendos, criação de empregos e investimentos", disse em nota o presidente da Petrobras.

O conselho da Petrobras aprovou nesta quinta-feira o pagamento de nova antecipação da remuneração aos acionistas relativa ao exercício de 2021, de 31,8 bilhões de reais, ou o equivalente a 2,437865 reais bruto por ação preferencial e ordinária em circulação.

Essa distribuição se soma aos 31,6 bilhões de reais anunciados em 4 de agosto, totalizando 63,4 bilhões de reais em antecipação aos acionistas relativa ao exercício de 2021.

A notícia vem no mesmo dia em que o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que a petroleira estatal tem que ter um papel social e "tem que ser uma empresa que dê um lucro não muito alto como tem dado", quando voltou a questionar a política de preços da empresa.

A dívida bruta da petroleira estatal atingiu 59,6 bilhões de dólares, ante 63,7 bilhões de dólares no trimestre anterior, atingindo então a meta de 60 bilhões de dólares, prevista anteriormente para o fim de 2022.

A relação dívida bruta/Ebitda ajustado diminuiu significativamente, passando de 1,78 vez em 30 de junho para 1,45 vez em 30 de setembro.

ITENS NÃO RECORRENTES

Dentre os principais impactos para o lucro, a Petrobras destacou reversão de baixa contábil devido à revisão da curva do petróleo Brent de curto prazo e o ganho com o recebimento pelo acordo de coparticipação referente ao excedente da Cessão Onerosa do campo de Búzios, disse a empresa.

O resultado também foi beneficiado com os efeitos da não incidência do imposto de renda (IRPJ) e da contribuição social (CSLL) sobre os valores correspondentes à taxa básica de juros Selic aplicada a indébitos tributários, após uma decisão do Supremo Tribunal Federal.

Excluindo os efeitos não recorrentes, o lucro líquido teria sido de 17,4 bilhões de reais, informou a companhia.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado somou 60,74 bilhões de reais entre julho e setembro, alta de 81,7% na comparação anual.

O Ebitda alcançado reflete principalmente a valorização dos preços do Brent e o aumento do volume de vendas no mercado interno.

A receita liquida da companhia alcançou no terceiro trimestre 121,6 bilhões de reais, alta de 71,9% na comparação com um ano antes a avanço de 9,8% versus o trimestre anterior, devido principalmente à valorização do Brent, ao aumento dos volumes e preços de derivados no mercado interno e à maior receita de gás natural e energia elétrica.

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