Petrobras tomou tombos no passado e voltou, diz Mourão

RICARDO DELLA COLETTA
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*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF,  03.02.2020 - O vice-presidente Hamilton Mourão. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 03.02.2020 - O vice-presidente Hamilton Mourão. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta terça-feira (23) que seu indicado para comandar a Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, "vai dar uma arrumada" na empresa.

Em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, o mandatário voltou a dizer que não interferiu na empresa, embora tenha determinado a troca do atual presidente da empresa, Roberto Castello Branco, por discordar da política de preços que tem resultado em recorrentes reajustes no preço dos combustíveis.

"O que eu interferi na Petrobras? O que eu falei para baixar o preço [dos combustíveis]? Nada, zero. O que essa imprensa está fazendo?"

"Tem muita coisa errada. O novo presidente [Silva e Luna] vai dar uma arrumada lá [Petrobras], pode deixar", declarou Bolsonaro, em fala transmitida por um site bolsonarista.

"Vocês vão ver a Petrobras como vai melhorar. Assim como se tiver que fazer qualquer mudança nós faremos. Não vem a imprensinha, a imprensa de sempre, não sei o quê. Não vai dar certo."​

A declaração de Bolsonaro ocorre um dia depois de a Petrobras ter registrado perdas de mais de 20% em suas ações por conta da interferência do governo Bolsonaro.

Ao final do pregão de segunda (22), as ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras fecharam em queda de 21,5%, indo a R$ 21,45. As ordinárias (com direito a voto) despencaram 20,47%, fechando em R$ 21,55.

O derretimento foi resultado da perda de confiança de investidores com a substituição, decidida pelo Palácio do Planalto, do presidente da empresa. Bolsonaro determinou a troca de Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna, ex-ministro da Defesa que estava na direção de Itaipu Binacional.

O presidente decidiu pela substituição em meio à forte pressão dos caminhoneiros, categoria próxima ao bolsonarismo que está descontente com os recorrentes reajustes no preço dos combustíveis.

Em outra frente, Bolsonaro prometeu zerar por dois meses os tributos federais sobre o óleo diesel.

Pouco depois de anunciar a troca no comando da Petrobras, Bolsonaro afirmou ainda que pretende "meter o dedo na energia elétrica".

A intervenção na estatal e as promessas de novas medidas em setores estratégicos minaram os principais indicadores financeiros do Brasil, que sofreram forte deterioração na segunda.

Foram afetados Bolsa, câmbio, risco-país, juros futuros, e houve revisão generalizada nas avaliações de bancos, casas de investimento e agências de classificação de risco em relação à Petrobras e outras estatais.

Para se ter uma ideia da agitação que tomou conta do mercado, o volume de negociações das ações da Petrobras no dia ficou em R$ 10,8 bilhões, um recorde. “O volume médio diário, normalmente, é próximo de R$ 1,8 bilhão”, diz Motta.

Na Bolsa de Nova York, as ADRs (certificados de ações negociados nos Estados Unidos) da Petrobras recuaram 21%, a US$ 7,94 cada.

O Ibovespa, principal índice acionário do país, caiu 4,86%, a 112.667,70 pontos, menor patamar desde 3 de dezembro.