Pezão pressiona votação de projeto dos Estados e busca liberação rápida de recursos ao RJ

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), participa de reunião em Brasília com governadores, o presidente Michel Temer e o presidente da Câmara nesta terça-feira, quando os deputados tentam concluir a votação do projeto de recuperação dos Estados, ao mesmo tempo em que monta uma estratégia para conseguir rapidamente a liberação de recursos para o Estado.

Pezão estará na residência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para tratar da votação do projeto de recuperação dos Estados , que teve seu texto-base aprovado na semana passada mas cujos destaques ainda não foram todos votados.

O governo do Rio aguarda com ansiedade a aprovação que ajudará a amenizar a história crise financeira estadual.

Paralelamente o Estado montou uma estratégia para receber mais rapidamente o empréstimo federal de 3,5 bilhões de reais antes mesmo da votação de contrapartidas na Assembleia Estadual previstas no projeto de lei

"Há uma brecha para receber antes. Estamos estudando e trabalhando nisso", disse ele à Reuters sem dar mais detalhes que poderiam comprometer a estratégia", antes de embarcar para Brasília. "Após a aprovação do projeto teremos um caminho mais claro nessa direção."

O Rio já aprovou na Alerj a lei de alienação das ações da Cedae, a companhia águas e esgoto do Rio, ao governo federal como garantia a esse futuro empréstimo. Pezão disse que a ideia é votar medidas de austeridade na Alerj só quando os salários dos servidores estiverem em dia.

O governador também quer discutir com Temer os constantes bloqueios nas contas estaduais promovidos pelo Tesouro Nacional e o aumento da violência no Estado.

Os bloqueios já somariam cerca de 1 bilhão de reais neste ano. Como a União é fiadora de empréstimos contraídos pelo Estado, a cada não pagamento o Tesouro quita e depois cobra o Rio de Janeiro.

Pezão pedirá também mais reforço nas fronteiras do Estado para evitar a entrada de armas e drogas. No primeiro bimestre foram apreendidos mais de 70 fuzis e há inúmeros registros em 2017 de casos de bala perdida, roubos de cargas, mortes de agentes de segurança e explosões de caixas eletrônicos e agências bancárias.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)