Pezão questiona TCE e pede auditoria federal em contratos

NICOLA PAMPLONA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), disse nesta sexta (7) que pediu ao Ministério da Transparência a criação de um grupo, em conjunto com o Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal, para inspecionar contratos assinados em seu período como secretário de Obras do Rio.

Com o pedido, Pezão quer defender sua gestão do que chama de "números fantasiosos" de relatórios do Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontando irregularidades em obras como o PAC Manguinhos e o PAC Alemão, de revitalização de comunidades no Rio, a modernização do Maracanã ou a linha 4 do metrô.

"Quando eu comecei a ver relatórios do TCE com números fantasiosos, com números totalmente mentirosos, eu pedi inspeção especial", disse o governador, em entrevista após prestar depoimento à Justiça Federal do Rio como testemunha de defesa do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), preso por acusação de chefiar um esquema de corrupção no Estado.

Pezão questionou a publicação de relatórios sobre irregularidades nas contas apenas após a divulgação de denúncias investigadas pela Operação Lava Jato.

"Começou a parecer no TCE depois que surgiram essas denúncias. Antes não tinha, nunca tinham feito observação nenhuma", argumentou.

Segundo ele, a auditoria será iniciada nesta segunda (10).

Cinco conselheiros do TCE estão presos por suspeita de receberem propinas para fazer vista grossa a irregularidades nas obras. As prisões foram motivadas por delações premiadas feitas pelo conselheiro Jonas Lopes e seu filho.

Os dois dizem que Pezão tinha conhecimento do esquema de propina e que chegou a ter contas pagas por dinheiro desviado. O governador nega.

"Cada um fala o que quer. Agora, tem que provar", disse, repetindo que já foi alvo de denúncias do delator Paulo Roberto Costa, mas as investigações foram arquivadas.

Em seu depoimento ao juiz Marcelo Bretas, Pezão repetiu que não tem conhecimento de irregularidades cometidas pelo ex-governador Sérgio Cabral. O governador do Rio já havia falado ao juiz Sergio Moro nesta quinta, também na condição de testemunha.

Questionado se não se sentia traído após conhecer as denúncias sobre o ex-governador, disse que "não vai julgar" a vida de Cabral. "Deixa o governador se defender, ele está se defendendo", comentou.