PF ainda não sabe o que causou liquefação da barragem de Brumadinho

Pedro Medeiros*

RIO — A Polícia Federal informou nesta quinta-feira que ainda falta descobrir o que teria causado a liquefação da barragem B1, da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). O fenômeno - apontado como a causa do acidente - ocorre quando um material sólido passa a se comportar como fluido. O rompimento da estrutura ocasionou a morte de 259 pessoas. Onze pessoas ainda estão desaparecidas, e as buscas continuam no local da tragédia que faz um ano no dia 25 de janeiro. Ainda não há previsão para conclusão do inquérito. Segundo a PF, os laudos periciais que estão sendo realizados em parceria com universidades europeias devem ser entregues em junho.

O delegado Luiz Augusto Pessoa, responsável pelo inquérito que apura crimes ambientais e se houve homicídio doloso ou culposo, não descarta o indiciamento de dirigentes da Vale, empresa responsável pela barragem.

— Há possibilidade de responsabilização de qualquer executivo da Vale, inclusive do ex-presidente da mineradora — disse o delegadoem entrevista coletiva, em Belo horizonte.

Em setembro de 2019, a PF concluiu outro inquérito, responsabilizando 13 funcionários da Vale e da Tüv Süd, além das duas empresas, por falsidade ideológica e uso de documentos falsos por atestar a segurança da barragem B1. No entanto, até o momento, o Ministério Público não apresentou denúncia contra nenhum deles.

Neste segundo inquérito, foram ouvidas até agora mais de 80 pessoas, realizadas mais de 50 diligências policiais e determinada a realização de 40 perícias, as mais importantes de engenharia e ambiental.

O delegado descartou que as explosões feitas no dia 25 de janeiro, num raio de 150 quilômetros, foram responsáveis pela liquefação que provocou o rompimento da barragem.

— Mas pode ser que os sismos ocorridos ao longo de 2018, que foram mais de 150 neste mesmo raio, podem ter provocado a desestabilização da barragem — disse.

Ele reforçou que pretende ouvir um dos indiciados no primeiro inquérito, que é da Tüv Süd e vive na Alemanha. A Polícia Federal ainda estuda como vai ouvir o acusado, que informou que não virá ao Brasil para prestar depoimento.

(*Estagiário sob supervisão de Madalena Romeo)