PF apontou participação de Salles em 'esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais'

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BRASÍLIA - Ao solicitar busca e apreensão contra o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, a Polícia Federal descreveu a "existência de grave esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais" envolvendo Salles e servidores públicos do ministério e do Ibama. Diz ainda que relatório financeiro elaborado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) detectou transações suspeitas envolvendo o escritório de advocacia do ministro. Trechos do pedido da PF foram destacados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ao autorizar a operação.

Na decisão, proferida no último dia 13 de maio, Moraes elenca alguns dos principais pontos apontados na representação da Polícia Federal com relação a Salles, como trecho da reunião de 22 de abril de 2020 em que o ministro do Meio Ambiente teria falado em "passar a boiada". "Agora tem um monte de coisa que é só, parecer, caneta, parecer, caneta. Sem parecer também não tem caneta, porque dar uma canetada sem parecer é cana", destacou a Polícia Federal.

A representação feita contra o ministro do Meio Ambiente ainda narra que após as apreensões de produtos florestais exportados ilegalmente para os Estados Unidos, as empresas responsáveis pela maior parte de cargas exportadas "objetivando solucionar o problema", buscaram apoio junto ao Superintendente do Pará, Walter Mendes Magalhães e ao então Diretor de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas, Rafael Freire de Macedo, ambos nomeados ou promovidos por Salles.

De acordo com a PF, esses servidores "teriam emitido certidões e ofício, claramente sem valor, por ausência de previsão legal, que não foram aceitos pelas autoridades norte-americanas".

Após o pedido feito pelas empresas, o ministro do Meio Ambiente teria se reunido pessoalmente com representantes delas e acolhido integralmente o pedido, incluindo emitindo parecer para legalizar, com efeito retroativo, "milhares de cargas expedidas ilegamente entre os anos de 2019 e 2020".

Um servidor do Ibama relatou, em depoimento à PF, que o assessor especial de Ricardo Salles, Leopoldo Penteado, acessou processos sobre madeira ilegal no sistema eletrônico do órgão e lhe ordenou "levantar o embargo" e "dar prosseguimento". As mensagens foram entregues pelo servidor aos investigadores.

Na decisão, Moraes ainda apresenta trecho em que a Polícia Federal destacou que parte das empresas envolvidas e pelo menos dois dos agentes públicos investigados tiveram, nos últimos anos, "inúmeras comunicações ao Coaf por operações suspeitas". "A esse respeito, a representação ainda aponta a possível existência de indícios de participação do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles, em razão de comunicações ao COAF por operações suspeitas realizadas, também nos últimos anos, por intermédio do escritório de advocacia do qual o referido Ministro", diz o despacho.

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