PF confirma vinda de mais um voo com brasileiros deportados dos EUA

FERNANDA CANOFRE
***FOTO DE ARQUIVO*** ANÁPOLIS, GO, 09.02.2019 - Brasileiros trazidos da China desembarcam das aeronaves enviadas pelo governo brasileiro à Wuhan, epicentro do epidemia do coronavírus; 34 brasileiros foram repatriados, trazidos em dois aviões da FAB até a base aérea de Anápolis (GO), cidade a 150 km de Brasília (DF). Eles ficarão 18 dias em quarentena em um local preparado dentro da base. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal em Minas Gerais divulgou nota anunciando a previsão de chegada de mais um voo com brasileiros deportados dos Estados Unidos para a noite desta sexta-feira (14).

Esse será o terceiro voo com brasileiros deportados em 2020. O primeiro chegou ao Aeroporto Internacional de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, no final de janeiro. Outro voo aterrissou em Minas na sexta passada. 

Segundo a nota da PF, a lista de passageiros do voo desta sexta tem 100 pessoas. Caso o número seja confirmado, será o maior voo de deportados até aqui.

Apesar da divulgação inicial de que teria 130 passageiros, o voo da última semana veio com 86 brasileiros, segundo a PF. No final de janeiro, cerca de 70 pessoas foram deportadas.

A PF diz ainda que voos com brasileiros deportados da fronteira entre México e Estados Unidos podem se tornar mais frequentes. Eles precisam ser autorizados pelo governo brasileiro, ainda que os EUA paguem pelo frete do avião.

Como a Folha de S.Paulo revelou, a administração Donald Trump solicitou ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido) autorização para novos voos de deportação de brasileiros pegos em imigração irregular.

O número de brasileiros detidos na fronteira EUA-México aumentou dez vezes entre outubro de 2018 e setembro de 2019, de acordo com informações do Serviço de Alfândega e Proteção das Fronteiras (CBP, em inglês).

A política rigorosa do governo norte-americano contra imigrantes ilegais e a dificuldade na emissão de vistos para pessoas nascidas no Brasil podem ter ajudado na escalada, segundo integrantes do Itamaraty.

Os brasileiros que tentam cruzar a fronteira sem documentos pretendiam ficar nos EUA pela modalidade conhecida como "cai-cai" -mesmo pegos, eles poderiam aguardar o processo para avaliação da sua situação no país. Uma prática comum, mas que foi dificultada pela mudança nas regras americanas.