PF contesta Bolsonaro sobre mudança de chefia no Rio

*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 19.07.2019: O presidente Jair Bolsonaro participa de cerimônia para comemorar o Dia Nacional do Futebol, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal rebateu, em nota oficial, as declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e negou que a troca de comando no Rio ocorra por problemas de desempenho da chefia.

A corporação foi pega de surpresa na manhã desta quinta-feira (15) por um anúncio inesperado feito pelo presidente, de que haveria a mudança.

A substituição vinha sendo planejada, mas foi antecipada após a fala de Bolsonaro, que causou desconforto na PF.

Além de ter dado a entender que foi ele o responsável pela decisão da troca, o presidente ainda disse que a mudança seria feita por problemas de "gestão e produtividade".

"A Polícia Federal informa que a troca da autoridade máxima do órgão no estado já estava sendo planejada há alguns meses e o motivo da providência é o desejo manifestado, pelo próprio policial, de vir trabalhar em Brasília, não guardando qualquer relação com o desempenho do atual ocupante do cargo", disse a Polícia Federal na nota.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, Ricardo Saadi, atual chefe, será substituído por Carlos Henrique Oliveira, nome escolhido pelo diretor-geral da Policia Federal, Maurício Valeixo. 

Carlos Henrique é homem de confiança de Valeixo e já tinha sido promovido neste ano, quando virou superintendente de Pernambuco. 

Na nota, a PF confirmou o novo comandante do Rio.

"A substituição de superintendentes regionais é normal em um cenário de novo governo. De janeiro para cá, a PF já promoveu a troca de 11 superintendentes".

Essa é a segunda vez que a Polícia Federal se manifesta para negar ou esclarecer alguma declaração do governo.

Na primeira, no fim de julho, o órgão publicou uma nota oficial desmentindo a possibilidade de destruição do material encontrado com um suspeito de ter hackeado autoridades da Lava Jato.

Na época, a PF afirmou que caberia à Justiça, "em momento oportuno, definir o destino do material", contradizendo o ministro da Justiça, Sergio Moro, que ligou para pessoas públicas avisando que o material seria destruído.