PF convoca chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro para prestar depoimento em inquérito no STF

Aguirre Talento
O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) 04/07/2019

BRASÍLIA - A Polícia Federal chamou para prestar depoimento na próxima semana o chefe de gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Miguel Ângelo Braga Grillo, e o empresário Paulo Marinho, para ouvi-los sobre um suposto vazamento da PF do Rio de Janeiro para beneficiar Flávio Bolsonaro. Os depoimentos serão tomados pelos investigadores do inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram interferências indevidas do presidente Jair Bolsonaro na PF.

O depoimento de Braga Grillo foi agendado para o próximo dia 27, quarta-feira, em Brasília. Marinho será ouvido no dia 26 de maio, terça-feira, no Rio de Janeiro --será o terceiro depoimento prestado pelo empresário desde que deu entrevista afirmando que um policial federal avisou à equipe de Flávio Bolsonaro de que seu assessor Fabrício Queiroz era alvo de suspeitas sobre sua movimentação financeira incompatível e poderia ser alvo da PF.

Os investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da PF avaliaram que seria importante também ouvir Marinho e o chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro. O objetivo é saber de possíveis preocupações de Bolsonaro que justificassem sua tentativa de trocar postos-chave da Superintendência do Rio. Investigações contra Flávio Bolsonaro seriam uma dessas preocupações, na suspeita dos investigadores.

O chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro ainda não foi ouvido sobre esses fatos, então será seu primeiro depoimento a respeito do assunto.

O empresário Paulo Marinho cita que a informação foi repassada por um delegado da Polícia Federal em um encontro com Miguel Ângelo Braga Grillo, então chefe de gabinete do parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Homem de confiança de Flávio e também do presidente Jair Bolsonaro, Braga teve o sigilo quebrado em virtude da investigação do Ministério Público do estado sobre a prática de "rachadinha" —  devolução de parte dos salarios dos funcionários —, assim como outros assessores e ex-assessores do então deputado estadual.