PF cumpre 8 mandados de prisão contra suspeitos por atos golpistas de 8 de janeiro

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 08.01.2023 - Golpistas invadem a praça dos Três Poderes, em Brasília. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 08.01.2023 - Golpistas invadem a praça dos Três Poderes, em Brasília. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal cumpre nesta sexta (20) oito mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão contra suspeitos de participação nos ataques golpistas de 8 de setembro.

As diligências foram ordenadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e são cumpridas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal.

Durante uma das prisões do DF, a PF encontrou um faixa que fala em "liberdade aos brasileiros" e diz que os "verdadeiros terroristas" não estão aqui.

Um dos presos é Ramiro Caminhoneiro, que aparece em vários vídeos e grupos em que bolsonaristas foram convocados a participar dos ataques contra os três Poderes. Ele foi detido em São Paulo.

Nas postagens, ele se coloca como organizador de viagens de ônibus que levaram pessoas para Brasília.

Após os atos, ele esteve na Academia de Polícia Federal e gravou vídeo entre os bolsonaristas presos no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército de Brasília.

Outro detido é Renan Sena. Ex-funcionário terceirizado do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, no governo Jair Bolsonaro (PL), ele foi preso em Brasília e é suspeito de organizar doações e solicitar valores via Pix para custear o acampamento no QG do Exército.

Sena já havia sido preso por participar dos ataques com fogos de artifício contra o STF em 2020.

Outro alvo de mandado de prisão é Soraia Bacciotti, que também teria relação com a arrecadação de valores via Pix e aparece em postagens nas redes sociais como apoiadora de Bolsonaro.

Em Minas Gerais foi preso Randolfo Antonio Dias. Ele participou de atos golpistas no QG do Exército em Belo Horizonte e incitava atos golpistas e violência contra autoridades, entre elas o presidente Lula (PT) e o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

A reportagem ainda não conseguiu contato com as defesas dos suspeitos.

Na operação da PF, duas prisões são realizadas no DF, três em São Paulo e uma nos estados do Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. São Paulo também tem a maioria dos alvos de busca, com sete diligências. No DF são outras cinco, e os outros estados tem uma cada.

A ação foi batizada de Lesa Pátria. Os alvos por causa das invasões e depredações aos prédios do Supremo Tribunal Federal, Congresso e Palácio do Planalto vão responder sob acusação dos crimes de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido.

As investigações continuam em curso e a Operação Lesa Pátria se torna permanente, com atualizações periódicas acerca do número de mandados judiciais expedidos, pessoas capturadas e foragidas.