PF prende bolsonaristas investigados por tentativa de golpe e ataque à sede da polícia em Brasília

Homem é visto próximo de carro em chamas durante protesto bolsonarista em Brasília em 12 de dezembro

(Reuters) - A Polícia Federal e a Polícia Civil do Distrito Federal prenderam ao menos quatro apoiadores de Jair Bolsonaro investigados por ligação a atos de vandalismo em Brasília no começo do mês e a uma suposta tentativa de "golpe de Estado", informaram as autoridades nesta quinta-feira.

Ao todo, policiais federais e civis cumprem 11 mandados de prisão, do quais quatro já foram efetivados (dois em Rondônia, um no Rio e um em Brasília) e ainda 21 de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, que também abrangem os Estados do Pará, Mato Grosso, Tocantins, Ceará e São Paulo, detalharam as autoridades.

As polícias não revelaram o nome dos detidos, mas a Reuters confirmou com duas fontes que entre os presos está

Klio Damião Hirano, que foi candidata à prefeitura de Tupã, no interior de São Paulo, pelo PRTB.

De acordo com um dos responsáveis pela operação policial, Cleo Mazzotti, chefe da divisão de combate ao crime organizado da PF, a "quase a totalidade" dos alvos é ao menos frequentadora do acampamento de apoiadores bolsonaristas diante da sede do Exército em Brasília, ainda que a mobilização não seja alvo da investigação.

O grupo acampado, que não aceita o resultado das eleições, pede uma ilegal intervenção militar, ou seja, um golpe, que impeça a posse de Luiz Inácio Lula da Silva no próximo domingo.

Segundo o comunicado da PF, os alvos da operação que foi deflagrada na quarta-feira à noite são investigados sob acusação de terem tentado a "abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado", além de dano qualificado, incêndio majorado e associação criminosa.

As investigações estão na alçada do Supremo Tribunal Federal, onde inquérito nas mãos do ministro Alexandre de Moraes investiga os chamados "atos antidemocráticos" desde ao menos 2020.

Os ataques em Brasília em 12 de dezembro que iniciaram a apuração policial aconteceram horas depois da diplomação de Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para seu terceiro mandato.

Naquela ocasião, o conflito teve início com a tentativa de invasão do edifício-sede da PF por grupos de apoiadores de Bolsonaro após a prisão do indígena José Acácio Serere Xavante, acusado de envolvimento em protestos antidemocráticos, e se espalhou por outros pontos da região central da capital federal.

O futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, disse que a operação em curso nesta quinta-feira visa "garantir o Estado de Direito".

"Motivos políticos não legitimam incêndios criminosos, ataques à sede da Polícia Federal, depredações, bombas. Liberdade de expressão não abrange terrorismo", afirmou Dino no Twitter.

As ações policiais acontecem em meio às tensões que permanecem altas após a eleição na qual Lula derrotou por pouco Bolsonaro, que ainda não reconheceu publicamente a derrota.

No sábado, a polícia prendeu um homem que confessou em depoimento ter ajudado a fabricar uma bomba caseira com o objetivo de detoná-la em Brasília e provocar um caos que impedisse a posse do petista --as autoridades apreenderam um artefato explosivo.

Ele disse ter discutido os planos no acampamento em frente à sede do Exército em Brasília.

O futuro ministro Dino tem endurecido o tom contra esses agrupamentos pró-golpe, e disse que espera uma desmobilização voluntária do grupo de Brasília até esta quinta-feira. No início desta manhã, os bolsonaristas permaneciam diante do Exército na cidade, testemunhou a Reuters.

(Reportagem de Ricardo Brito, Gabriel Araújo, Flávia Marreiro e Gabriel Stargardter)