PF diz que 1.159 foram presos por ataques e responderão por crimes como terrorismo e golpe de Estado

Soldados reforçam a segurança do Palácio do Planalto

BRASÍLIA (Reuters) - A Polícia Federal encaminhou 1.159 pessoas para a prisão por envolvimento nos ataques antidemocráticos de domingo ao Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF), e disse que os presos responderão por diversos crimes, inclusive terrorismo e golpe de Estado.

Os presos foram identificados de um total de 1.843 pessoas detidas inicialmente, encerrando as atividades de coleta de depoimentos dos manifestantes bolsonaristas radicais que pediam um golpe contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Transferidos para penitenciárias enquanto prosseguem as investigações no STF sobre os atos antidemocráticos, eles irão responder, de acordo com sua participação e responsabilidade, por crimes de terrorismo, associação criminosa, atentado contra o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, e perseguição, além de incitação ao crime, dentre outros, disse a PF em comunicado.

Dentre os detidos inicialmente, 684 pessoas tiveram prioridade por pertencerem a grupos de idosos, com problemas de saúde, em situação de rua e pais ou mães acompanhados de crianças, e foram liberadas para responder em liberdade.

A PF informou que os detidos receberam quatro refeições por dia e hidratação, além de terem à disposição equipes médicas durante todo o período em que ficaram em detenção em um ginásio da corporação, negando acusações de maus tratos feitas pelos presos na internet.

Apesar do grande número de prisões, novos atos chegaram a ser convocados nas redes sociais para esta quarta-feira por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro sob o mote de "retomada do poder".

Em clima de alerta, o governo federal colocou em prática um arsenal de segurança na capital para reduzir a zero a chance de repetição dos ataques aos Três Poderes do último domingo.

O esquema incluiu o fechamento parcial do tráfego na Esplanada dos Ministérios, a prorrogação do emprego da Força Nacional de Segurança na capital e o incremento do contingente desses policiais em Brasília, com a mobilização de todo o efetivo em alerta máximo.

Em coletiva na manhã desta quarta, Ricardo Cappelli, secretário-executivo do Ministério da Justiça e interventor federal na segurança pública do DF nomeado no domingo por Lula, destacou ainda que, ao contrário do que ocorreu no domingo, nesta quarta haveria comando das forças de segurança.

De fato, os preparativos de segurança evitaram atos violentos e desmobilizou os manifestantes pró-golpe.

Na noite desta quarta, Cappelli afirmou no Twitter que a operação de segurança "foi exemplar".

"Tenho plena confiança nas forças de segurança do DF. Extremistas não apareceram, não tomaram o poder na marra e jamais tomarão. Não há hipótese de se repetir o que aconteceu no dia 8", publicou o interventor.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)