PF e MPF fazem operação contra quadrinha por venda ilegal de cigarros; prejuízo é de R$ 2 bilhões à União

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal realizam, na manhã desta quarta-feira, a Operação Smoke Free, contra uma organização criminosa armada e especializada na venda ilegal de cigarros. Ao todo, são 27 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão. Entre os envolvidos estão um policial federal, policiais militares e bombeiros. Um dos alvos nesta quarta-feira é Adilson Coutinho de Oliveira Filho, o Adilsinho, que também já esteve na mira da PF e do MPF no ano passado, na Operação Fumus.

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A investigação aponta que, durante um período de três anos, a quadrilha falsificou ou não emitiu notas fiscais e transportou ou vendeu cigarros vindos de crime em territórios dominados. De acordo com a PF, em consequência, a organização lavou o dinheiro obtido ilicitamente e remeteu altas quantias ao exterior.

"Além disso, a organização criminosa contava com uma célula de serviço paralelo de segurança, coordenado por policial federal e integrado por policiais militares e bombeiros, que também atuavam para atender aos interesses espúrios do grupo", diz trecho da nota da Polícia Federal.

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Ainda segundo a corporação, o grupo causou um prejuízo de R$ 2 bilhões à União.

Os mandados de prisão e de busca e apreensão foram expedidos pela 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Além disso, também foi ordenado o bloqueio, sequestro e apreensão de bens, avaliados em cerca de R$ 300 milhões. Dentre eles estão imóveis, veículos de luxo, criptomoedas, dinheiro em espécie e depósitos em contas bancárias.

Operação Fumus

Adilsinho é acusado de ser um dos chefes de uma quadrilha que vende cigarros de forma ilegal. Em junho do ano passado, ele estava entre os principais nomes na Operação Fumus, que foi realizada contra um grupo criminoso que também tinha a participação de policiais militares. Na ocasião, Adilsinho deixou seu endereço residencial na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, horas antes da ação da polícia, assim como outros dois acusados de integrarem o esquema.

Segundo as investigações, o grupo compra os maços de cigarro da marca C-One, da Companhia Sulamericana de Tabacos, na Baixada Fluminense, com notas fiscais adulteradas. A quadrilha obriga pequenos e médios comerciantes em praticamente todo o Rio a vender apenas a marca oferecida por ela. Investigadores identificaram que os cigarros eram fabricados em Duque de Caxias e eram levados em caminhões para centros de distribuição na própria cidade de Caxias e também em Campos, no Norte Fluminense, além da capital. Nesses locais, os cigarros eram repassados aos operadores, responsáveis pela entrega aos comerciantes finais. Os preços dos cigarros são tabelados, e os empresários são proibidos de venderem outras marcas. Caso eles descumprissem as ordens, seus comércios eram roubados.

De acordo com as investigações, o rendimento mensal do grupo seria de cerca de R$ 1,5 milhão. Só desde de 2019, estima-se que a quadrilha teria movimentado mais de R$ 45 milhões. Além do esquema de cigarro, o grupo teria ligação com o jogo do bicho e máquinas caça-níquel.