PF encerra investigação sobre Jair Renan Bolsonaro e diz não ter encontrado crimes

*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  04-03-2020, 12h00: O filho de Bolsonaro, Jair Renan. Cerimônia de Posse da nova secretária nacional de Cultura Regina Duarte. O presidente Jair Bolsonaro, ao lado da primeira Dama Michelle Bolsonaro, do vice-presidente Hamilton Mourão, dos ministros General Braga Netto (Casa Civil) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), durante a cerimônia de posse da atriz Regina Duarte no cargo de Secretária Nacional de Cultura, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 04-03-2020, 12h00: O filho de Bolsonaro, Jair Renan. Cerimônia de Posse da nova secretária nacional de Cultura Regina Duarte. O presidente Jair Bolsonaro, ao lado da primeira Dama Michelle Bolsonaro, do vice-presidente Hamilton Mourão, dos ministros General Braga Netto (Casa Civil) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), durante a cerimônia de posse da atriz Regina Duarte no cargo de Secretária Nacional de Cultura, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal afirmou em relatório final da investigação sobre a atuação de Jair Renan Bolsonaro, o 04 de Jair Bolsonaro (PL), que não encontrou crimes na suposta atuação do filho do presidente em favor de empresários.

O caso foi encerrado na superintendência da PF no Distrito Federal sem nenhum indiciamento.

O inquérito foi aberto em março de 2021, após pedido do Ministério Público Federal baseado em denúncias feitas por parlamentares da oposição ao governo.

Como revelou a Folha de S.Paulo, a cobertura com fotos e vídeos da festa de inauguração da empresa do 04 em Brasília foi realizada gratuitamente por uma produtora que tem contratos com o governo federal.

A revista Veja, por sua vez, mostrou a abertura da empresa e como Jair Renan solicitou ao gabinete da Presidência da República uma audiência para tratar de interesses comerciais de um de seus patrocinadores do Espírito Santo.

Empresas capixabas chegaram a doar um carro elétrico avaliado em R$ 90 mil para um projeto parceiro da empresa de Renan, a Bolsonaro Jr Eventos e Mídia.

A Bolsonaro Jr e o projeto MOB, de propriedade do ex-personal trainer de Renan, Allan Lucena, inauguraram em outubro de 2020 o empreendimento Camarote 311, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

O veículo foi doado pelos grupos WK, de propriedade de Wellington Leite, e Gramazini Granitos e Mármores Thomazini. Ambos tiveram suas logomarcas impressas na decoração da parede de entrada do escritório de Renan, junto com outras empresas que apoiaram a iniciativa empresarial.

Wellington Leite, do grupo WK, foi recebido por Bolsonaro no Palácio do Planalto. O empresário divulgou foto do encontro com Bolsonaro em suas redes sociais no dia 21 de março do ano passado, data de aniversário do chefe do Executivo.

Outro empresário que repassou valores ao 04 foi Luis Felipe Belmonte, aliado de Bolsonaro que capitaneou a tentativa de criar o partido Aliança Brasil.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, mensagens em posse da PF mostraram que no período em que custeou despesa de Jair Renan e repassou valores a pessoas próximas a Bolsonaro, Belmonte fazia lobby no Palácio do Planalto para liberar mineração em terra indígena.

Nesta terça (30), o jornal O Globo revelou que a PF registrou em um relatório a tentativa de um servidor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) de atrapalhar a investigação sobre Jair Renan.

Segundo o jornal, Allan Lucena, então preparador físico de Jair Renan, foi seguido em março de 2021, quatro dias após a PF abrir inquérito contra o 04. Ele acionou a Polícia Militar do Distrito Federal.

A Polícia Militar, ainda de acordo com a publicação, descobriu que o homem no carro que o perseguiu era Felipe Barros Felix, agente da PF cedido à Abin.

Em depoimento no inquérito, Felix disse à PF que trabalhava diretamente com o então diretor-geral da Abin, Alexandre Ramagem, amigo pessoal da família Bolsonaro.

Segundo ele, o objetivo da espionagem era prevenir "riscos à imagem" de Jair Bolsonaro.

O presidente foi questionado nesta terça sobre o relatório da Polícia Federal e respondeu que "não tem influência" na Abin e que "ela faz o seu trabalho".

O mandatário questionou qual acusação há contra seu filho. Depois, disse que não vê problema em existir uma investigação sobre o caso.

Bolsonaro aproveitou ainda para atacar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário nas eleições deste ano. "Investigue. Não compare meus filhos com os filhos do Lula. Vocês passaram anos sem falar do filho do Lula. Qualquer filho tem que ser investigado. Agora, pare de massacrar", declarou em entrevista à imprensa, após participar de evento com presidenciáveis da União de Entidades do Comércio e Serviços.