PF encontra provas de corrupção em delegacia responsável pelo caso Marielle

AP Photo/Eraldo Peres
AP Photo/Eraldo Peres

A Polícia Federal encontrou provas de que membros da Delegacia de Homicídios da Capital impediram, propositadamente, o esclarecimento da autoria dos crimes que resultaram nas mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes. As informações são do UOL.

A informação foi confirmada por duas fontes diretamente ligadas ao inquérito da PF, que apura se houve obstrução de justiça nos homicídios da vereadora do PSOL e do motorista, assassinados em 14 de março do ano passado. Além do sabido envolvimento de milicianos do “Escritório do Crime”, há indícios de que integrantes da máfia do jogo do bicho, no Rio de Janeiro, também participaram dos crimes.

De acordo com a reportagem do UOL, ao menos dois delegados constavam na folha de pagamento do “Escritório do Crime” e a propina era paga na própria sede da Delegacia de Homicídios, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

O ex-PM e delator, Orlando Oliveira de Araújo, afirmou que o escritório pagava uma espécie de “mesada” a policiais da DH para que as investigações acerca das execuções de Marielle e Anderson não chegassem aos responsáveis. Além de Orlando – conhecido pelo apelido de “Curicica” por ser o bairro onde ele chefiava uma milícia – um outro delator, que sobreviveu a uma tocaia do grupo de matadores de aluguel, declarou haver infiltrados entre os agentes que trabalham na delegacia especializada.

A Polícia Federal analisa, agora, ao menos oito inquéritos da DH por determinação da Procuradoria-Geral da República. Entre eles, estão sendo investigadas as execuções de dois herdeiros de clãs da máfia do jogo do bicho: Hayton Escafura e Myro Garcia, assassinados em 2017. Durante a investigação, a PF analisou se o grupo criminoso do “Escritório” possuía infiltrados dentro da Delegacia, conforme os depoimentos colhidos.

Formado por policiais e ex-policiais treinados em unidades de elite da polícia, em especial o Bope da Polícia Militar, o “Escritório do Crime” é apontado como o principal grupo paramilitar envolvido em crimes de pistolagem (assassinato sob encomenda) no estado. Inclusive, o sargento reformado Ronnie Lessa, acusado de ter efeituado os disparos que vitimaram Marielle e Anderson, foi integrante da unidade.

O ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, atirador de elite e instrutor de armamento treinado pela tropa de elite, foi citado como chefe do tal escritório, por investigações do Ministério Público Estadual. Assim como Lessa, ele também tem um histórico de prestação de serviços a dois dos principais clãs da máfia da contravenção no Rio. Adriano está foragido – o que é um forte indício de realmente haver infiltrados na DH, repassando informações aos investigados.

Procurada por e-mail para comentar a investigação, a Polícia Civil do Rio não respondeu à reportagem.