PF faz buscas em investigação sobre compras da Saúde na gestão de Ricardo Barros

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BRASÍLIA - A Polícia Federal (PF) fez buscas, na manhã de hoje, para apurar fraudes na aquisição de medicamentos de alto custo no Ministério da Saúde quando Ricardo Barros (PP-PR) era ministro. A Global Saúde, cujos sócios estão hoje na mira da CPI da Covid, deu um calote de R$ 20 milhões no governo federal, segundo apontam as investigações.

Foram realizados 15 mandados de busca e apreensão em Alagoas, Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo e Distrito Federal. A Global Saúde é sócia da Precisa Medicamentos, empresa que vendeu a vacina indiana Covaxin ao governo federal por R$ 1,6 bilhão. O contrato foi rompido após ser investigado na CPI.

Atual líder do governo na Câmara dos Deputados, Barros é réu por improbidade administrativa junto à Global Saúde pela suspeita de ter favorecido a Global na venda desses medicamentos. Ele não é alvo da operação nesta terça-feira.

"Foram encontrados indícios de inobservância da legislação administrativa, licitatória e sanitária, além do descumprimento de reiteradas decisões judiciais, com o aparente intento de favorecer determinadas empresas", diz a Polícia Federal em nota.

"A má condução dos processos de aquisição desses medicamentos causou o desabastecimento por vários meses de seus estoques do Ministério da Saúde, em prejuízo de centenas de pacientes beneficiários de ordens judiciais, o que contribuiu para o agravamento de sua saúde, podendo ter levado ao óbito ao menos 14 pacientes."

Embora a operação só tenha sido deflagrada agora, os fatos ocorreram entre 2016 e 2018, quando Barros era ministro. A ação em que Barros é acusado de improbidade pelo mesmo caso se arrasta na Justiça Federal de Brasília sem resolução.

Segundo a colunista do GLOBO Bela Megale, os alvos de buscas da PF está também Tiago Pontes Queiroz, que foi coordenador de Compra por Determinação Judicial e diretor do de Logística do Ministério da Saúde. Davidson Tolentino, que também atuou na pasta, é outro alvo. Ambos trabalharam no ministério por indicação de Ricardo Barros.

Procurada, a Global Saúde não se pronunciou sobre a operação. A Global e a Precisa são comandadas por Francisco Maximiano, empresário investigado na CPI da Covid. Segundo informações da Receita Federal, só em 2020, Maximiano movimentou 80 vezes mais do que declarou receber em seu Imposto de Renda.

Ricardo Barros disse que não é alvo da operação e que "não se comprovará qualquer irregularidade na minha conduta à frente do Ministério da Saúde. As compras foram feitas dentro das normas legais, sob decisões judiciais favoráveis e provocaram mudança na posição da Anvisa, que deixou de exigir licença de importação para medicamentos judicializados."

"Não há relação das mortes com a entrega de medicamentos. Não houve irregularidade. Economizamos R$ 5 bilhões com a renegociação de contratos, compras de medicamentos e insumos. Os valores foram reinvestidos no SUS. Processos que afrontaram grandes interesses, mas promoveram mais serviços à população", acrescentou o líder do governo.

A operação foi chamada pela PF de Operação Pés de Barro, uma referência bíblica, segundo a instituição. "No trecho bíblico, verificam-se belas promessas, porém contraditórias na execução."

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