PF faz ofensiva contra atos antidemocráticos em ao menos seis estados e no DF

A Polícia Federal realiza desde a manhã desta sexta-feira frentes de trabalho atrás de envolvidos em ações antidemocráticas, em pelo menos seis estados e no Distrito Federal. Duas operações buscam financiadores e participantes dos atos de vandalismos realizados nos prédios da praça do Três Poderes, no dia 8 de janeiro, e uma terceira pelos crimes cometidos durante o fechamento de rodovias em Mato Grosso do Sul, nos meses de novembro. A casa do governador afastado do DF Ibaneis Rocha também foi alvo de busca e apreensão.

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A operação Lesa Pátria cumpre oito mandados de prisão preventiva, e realizou 16 de busca e apreensão, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Até as 14h de hoje, cinco pessoas foram presas, entre elas um ex-candidato do PL, uma intérprete de Libras e um ex-funcionário do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, da ex-ministra e senadora eleita Damares Alves. A autorização partiu do STF.

Os alvos da Lesa Pátria são investigados pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido.

No estado do Pará, outra frente cumpriu oito mandados de busca e apreensão contra suspeitos de terem financiado os atos de vandalismo em Brasília. Os alvos foram classificados pela PF como “extremamente perigosos”, pois também teriam planejando ataques a refinarias, portos e aeroportos nos estados.

A investigação começou a partir de postagens em redes sociais que organizavam caravanas de manifestantes de todas as regiões do país para irem a Brasília. Segundo a PF, os organizadores deixavam claro que o objetivo do grupo era o de promover uma greve geral com a “tomada” dos Três Poderes por meio da invasão dos prédios do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, e assim instalar uma intervenção militar, o que é inconstitucional.

Os alvos da PF no Pará mantinham relações entre si, teriam planejado fechar rodovias federais, e prestado apoio a manifestações antidemocráticas com “emprego de violência e grave ameaça, com o objetivo de abolir o Estado Democrático de Direito”.

Barricadas e incêndios em MS

No Mato Grosso do Sul, um homem apontado como organizador de bloqueios em rodovias do estado nos meses de novembro, ápice dos bloqueios antidemocráticos que contestavam a vitória de Lula, foi preso nesta sexta-feira. Alvo da operção Unlock II, o suspeito foi preso em Dourados. Ele teria feito barricadas e incendiado pneus na BR-163, em novembro do ano passado.

Os agentes também cumpriram três mandados de busca e apreensão. O suspeito é apontado como integrante de um grupo de pessoas que usavam máscaras e carros sem placas - retiradas propositalmente, segundo a PF — e que descarregou pneus e formou uma barricada no local denominado Trevo da Bandeira, na BR-163, na área urbana de Dourados, em 18 de novembro.

Dois dias depois, os agentes da PF prenderam o motorista que transportou os pneus até o local do incêndio.

Ibaneis na mira

A PF também realiza busca e apreensão na casa do governador afastado Ibaneis Rocha. Os agentes também foram ao antigo escritório de advocacia de Ibaneis, e na sede do governo distrital, o Palácio Buriti. O advogado do governador, Alberto Toron, disse ao GLOBO ainda não ter acesso à decisão que autorizou as buscas.

— O governador não tem nada a esconder, um mandado de busca e apreensão visa colher provas, mas neste caso, não há motivos para temor — disse.

Por meio de uma nota, a defesa afirmou que "apesar de inesperada, já que Ibaneis sempre colaborou com a Justiça, a operação será a prova definitiva de inocência do governador".

Ibaneis foi afastado do cargo por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por uma suposta omissão no planejamento de segurança dos atos terroristas do dia 8 de janeiro.