PF fez reconstituição de mortes de indigenista e jornalista inglês, e achou corpos a 3 km da margem do rio

A Polícia Federal, em coletiva nesta quarta-feira sobre o caso das mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, descreveu o local em que corpos foram encontrados como sendo de difícil acesso, a mais de 3 quilômetros mata adentro. A reconstituição do crime também foi feita no local indicado por Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como Pelado, que confessou o assassinato da dupla.

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— 3,1 quilômetros mata adentro, um local de dificílimo acesso. Para você ingressar com embarcação ela deve ser muito pequena. Sem contato telefônico, um agente teve de deixar o local para me informar que foram encontrados remanescentes humanos — disse o delegado Eduardo Alexandre Fontes, superintendente regional da PF.

Ainda segundo as autoridades, a lancha da dupla foi afundada pelos criminosos. A embarcação ainda não foi retirada do rio, mas a PF diz já saber sua localização.

Segundo o delegado, os remanescentes humanos serão enviados para a perícia e, uma vez sendo comprovada sua relação com Bruno Pereira e Dom Phillips, restituídos à família.

Ainda de acordo com o delegado Eduardo Alexandre Fontes, superintendente regional da PF, Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como Pelado, assumiu voluntariamente no final da noite de ontem a participação no crime. Pelado se comprometeu a mostrar onde cometeu o duplo assassinato.

Pelado foi levado ao local das buscas na manhã desta quarta-feira. O suspeito indicou onde as vítimas foram mortas e onde estavam os corpos. Ele também apontou o local onde afundou a embarcação usada por Pereira e Phillips. Trata-se de uma área de "dificílimo acesso".

No último domingo, a PF confirmou que foram encontrados uma mochila e documentos pertencentes à dupla. Dois dias antes, policiais haviam encontrado "material orgânico aparentemente humano" na região.

O desaparecimento da dupla foi alertado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) na segunda-feira. O Vale do Javari é a região com a maior concentração de povos indígenas isolados do mundo.

Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como Pelado, foi preso no dia 7, e o irmão dele, Oseney da Costa Oliveira, o Dos Santos, foi detido nesta terça-feira. Uma testemunha chave afirmou ter visto Pelado carregar uma espingarda e fazer um cinto de munições pouco depois que Pereira e Phillips deixarem a comunidade de São Rafael com destino à Atalaia do Norte, na manhã do último domingo, data em que foram vistos pela última vez.

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Um relatório da PF sobre o caso, enviado ao ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), mostra trechos dos depoimentos de Pelado, que admitiu ter visto Bruno no dia do desaparecimento, e de testemunhas oculares que viram sua perseguir a embarcação de Bruno e Dom, conforme revelado pelo GLOBO. Outro depoimento que reforça as suspeitas é o do procurador jurídico da Univaja, Eliésio Marubo, que afirma ter recebido de Bruno uma mensagem na qual temia por sua vida e que a reunião marcada com "Churrasco", poderia "dar em algum problema".

Lavagem de dinheiro e pesca ilegal

A PF também investiga se um esquema de lavagem de dinheiro para o narcotráfico por meio da venda de peixes e animais pode estar relacionado ao desaparecimento da dupla. O GLOBO apurou que apreensões de peixes que seriam usados no esquema foram feitas recentemente por Pereira, que acompanhava indígenas da Equipe de Vigilância da União dos Povos Indígenas do Javari (Unijava). As embarcações levavam toneladas de pirarucus, peixe mais valioso no mercado local e exportado para vários países, e de tracajás, espécie de tartaruga considerada uma especiaria e oferecida em restaurante sofisticados dentro e fora do país.

A ação de Pereira contrariou o interesse do narcotraficante Rubens Villar Coelho, conhecido como "Colômbia", que tem dupla nacionalidade brasileira e peruana. Ele usa a venda dos animais para lavar o dinheiro da droga produzida no Peru e na Colômbia, que fazem fronteira com a região do Vale do Javari, vendida a facções criminosas no Brasil. Há suspeita de que ele teria ordenado a Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado, a colocar a “cabeça de Bruno a leilão”.

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