PF investiga contratos de afretamento de navios em 70ª fase da Lava-Jato

Dimitrius Dantas

SÃO PAULO — A força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba deflagrou na manhã desta quarta-feira a 70ª fase da operação. Os investigadores apuram desvios em contratos de afretamentos de navios realizados pela diretoria de Abastecimento da Petrobras. Os contratos, de acordo com a Polícia Federal (PF) chegam a R$ 6 bilhões.

Ao todo, 50 agentes cumprem mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e em Niterói. A maioria das ordens é cumprida na capital fluimnense, onde 10 endereços são alvos.

"Há suspeitas de que algumas empresas teriam sido beneficiadas com informações privilegiadas acerca da programação de contratação de navios utilizados para transporte marítimo de petróleo e derivados da empresa, de forma que tiveram valiosa vantagem competitiva na captação dos negócios. Em contrapartida, há evidências de pagamentos de propina a empregados da empresa pública", comunicou a Polícia Federal.

Três empresas são alvos de mandados. Elas firmaram ao todo 200 contratos de afretamentos de navios.

"A suspeita do pagamento da corrupção recai sobre os valores recebidos pelos corretores intermediários que, mesmo estabelecidos em uma pequena porcentagem dos contratos, alcançam vultosas somas de dinheiro e - apura-se - contribuíram para abastecer esquemas de corrupção sistemática reiteradas vezes demonstrados ao longo da Operação Lava Jato", afirma a PF.

A operação foi batizada de "Óbolo", unidade de massa usada na Grécia Antiga e também o nome da moeda utilizada para remunerar o barqueiro Caronte que, na mitologia grega, era oresponsável por conduzir as almas através do rio que separava o mundo dos vivos do mundo dos mortos.