PF investiga morte de Guarani Kaiowá em Coronel Sapucaia, em MS

(Getty Images)
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A Polícia Federal disse em nota nesta quinta-feira (26) que já enviou equipes para investigar a morte do jovem Guarani Kaiowá Alex Recarte Vasques Lopes, de 18 anos, ocorrido em uma fazenda da cidade de Coronel Sapucaia (MS) no último sábado (21). A informação é do portal g1.

Ainda de acordo com o documento, ao todo, foram mobilizadas três equipes para a região e “foi instaurado Notícia Crime em Verificação (NCV) para confirmar se a morte do indígena tem relação com disputas territoriais locais ou que atinja a comunidade indígena como um todo, já que, neste caso, seria de competência da Justiça Federal processar e julgar”.

Segundo a denúncia, Alex estava acompanhado de outros dois jovens indígenas quando foi morto. Após o crime, o corpo teria sido levado para o lado paraguaio da fronteira, que fica a menos de dez quilômetros dos limites da reserva indígena.

De acordo com o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), fotos mostram o corpo de Alex com pelo menos cinco orifícios compatíveis com projéteis de armas de fogo. A cidade de Coronel Sapucaia fica separada de Capitán Bado, no Paraguai, apenas por uma avenida.

O povo Guarani e Kaiowá em protesto chegou a ir até a propriedade rural, cujo nome não foi divulgado, mas foi impedido por um bloqueio. Segundo o divulgado pelo Cimi, a barreira foi posicionada na rodovia MS-286, que atravessa a Terra Indígena Taquaperi e também dá acesso a outras comunidades indígenas da região.

O texto divulgado no site do Cimi diz que "os Guarani e Kaiowá cobram que o assassinato seja investigado com urgência pelas autoridades federais, pois temem que o cenário do crime seja alterado e que a perícia seja inviabilizada".

A Grande Assembleia Guarani Kaiowá, Aty Guasu, após o ocorrido publicou uma carta lamentando o episódio e também o vasto histórico de violência de fazendeiros contra indígenas do povo Guarani Kaiowá.

“Alex, menino de 18 anos, cheio de sonhos, como as demais crianças e jovens lutavam – porque, no MS [Mato Grosso do Sul], para um Kaiowá viver é lutar – para ter um futuro em meio à violência e genocídio que nos cerca. Ele é o quarto da família extensa Lopes que é assassinado em Coronel Sapucaia desde 2007, em uma sequência de ataques que nunca para e que nunca parou contra nossos territórios”, diz um trecho da carta da Aty Guasu.

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