PF investiga suposta ligação entre mortes de indígenas e conflitos com madeireiros

Vista aérea de área desmatada na floresta amazônica perto de Porto Velho

Por Steven Grattan

SÃO PAULO (Reuters) - Dois indígenas guajajaras, um deles integrante de um grupo que defende seu território da extração ilegal de madeira na floresta amazônica, e um jovem pataxó foram mortos no Maranhão e na Bahia no fim de semana, confirmaram a Polícia Federal e grupos indígenas.

A Polícia Federal disse à Reuters nesta terça-feira que está investigando as mortes, mas não pode fornecer mais detalhes "por se tratarem de investigações em andamento".

No primeiro incidente, no sábado, Janildo Oliveira Guajajara, integrante do grupo autodenominado "Guardiões da Floresta", teria sido morto com tiros nas costas no Maranhão, segundo reportagens da mídia local. Outro homem ficou gravemente ferido no ataque.

Em outro incidente no mesmo dia no mesmo Estado, Jael Carlos Miranda Guajajara, de 34 anos, foi atropelado por um carro, no que grupos indígenas acreditam ter sido um assassinato premeditado.

Os motivos dos assassinatos não são claros, mas a polícia está investigando se eles estão relacionados à resistência indígena aos madeireiros ilegais que invadiram suas terras.

Um menino indígena de 14 anos do povo pataxó, no Estado da Bahia, teria sido morto a tiros no domingo por homens armados não identificados, de acordo com reportagens. As terras onde ele morava foram demarcadas como reservas, mas ainda não foram homologadas, e agricultores ainda vivem no local.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

Quatro assassinatos de "guardiões da floresta" guajajaras foram registrados em dezembro de 2019 no Maranhão no espaço de seis semanas, todos moradores da Terra Indígenas Araribóia, que enfrenta uma crescente batalha com madeireiros.

Carlos Travassos, indigenista que trabalha com os guardiões guajajaras, disse que seis deles foram assassinados desde 2016.

"Na verdade, a gente não sabe exatamente a motivação do crime, mas sabe que fizeram uma emboscada para o Janildo na cidade de Amarante. A gente esta pedindo apoio das autoridades para fazer essa investigação direito", disse Travassos por telefone.

O garimpo ilegal de ouro e a extração de madeira aumentaram na floresta amazônica desde que o presidente Jair Bolsonaro, que é candidato à reeleição, venceu as eleições de 2018, prometendo flexibilizar a fiscalização de crimes ambientais e desenvolver a região economicamente.

Em junho, pescadores ilegais confessaram ter assassinado o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, que viajava com ele no Vale do Javari fazendo reportagem para um livro sobre a Amazônia.

(Reportagem adicional de Anthony Boadle, em Brasília)